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Estamos atentos aos eventos mundiais

01 Ago 2022 / 11:52 H.
Fernando Baxi

Os últimos eventos económicos e sociais meteram em estado de alerta os governos de todo o mundo, face à possibilidade de mais uma crise económica mundial no curto prazo. Os países em desenvolvimento são sempre apanhados na ‘contra-mão’, tendo em conta a escassez de recursos.

África seria dos continentes mais sacrificados, caso se venha cumprir a ‘profecia’ dos cépticos, que se apoiam nos acontecimentos gerados pelo conflito russo-ucraniano. Os dois países são os maiores fornecedores de cereais e fertilizantes no mercado mundial, daí os ‘incrédulos’ recearem uma possível escassez de cereais.

Atento aos eventos mundiais e por formas a se precaver de eventual crise económica (com dimensão planetária), o Executivo gizou um programa (PLANAGRÃO), tendo inclusive disponibilizado 2,2 biliões de Kwanzas. O projecto será implementado na região leste de Angola, onde já foram identificadas as terras de cultivo dos principais cereais (trigo, arroz, milho e soja). O montante disponibilizado será dividido em duas parcelas. 1,17 biliões Kz serão aplicados na delimitação e loteamento de terrenos, enquanto 1,1 bilião Kz para reforçar o capital do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) que posteriormente fará chegar ao sector empresarial privado, no âmbito da materialização do projecto de produção dos respectivos grãos. Se implementado como planificado, do PLANAGRÃO poderá colher-se seis milhões de toneladas dos quatro grãos por ano.

Tendo em conta a importância do programa, o Executivo vai prestar todo o auxílio e poderá envolver-se quando for necessário, isto para garantir a materialização plena. Está previsto a simplificação do processo de acesso e uso das terras, garantias de benefícios fiscais aos produtores. Apesar de ser um programa anunciado num momento crucial para a história político-contemporânea de Angola, a crítica encara com muita seriedade por ser uma das soluções para o combate à pobreza e o reforço do programa de diversificação da economia. Angola no curto prazo poderá deixar de ser um importador de grão para exportador.

Assim, o petróleo deixará de ser a principal e única fonte de receitas fiscais. Mais importante será mesmo precaver-se de uma possível crise económica mundial, que a acontecer vai assolar as economias despreparadas ou com recursos escassos. As instituições financeiras internacionais, no caso o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (BM) terão enormes dificuldades de salvar as economias em apuros, tendo em conta a conjuntura.