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Estabilização da moeda

Angola /
13 Set 2019 / 11:49 H.
Aylton Melo

Há dois anos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) apontavam para desvalorizações da moeda nacional como uma das medidas urgentes para se acabar com a “instabilidade” do kwanza. Uma posição não partilhada, na altura pelo governo do BNA, pois estavam em curso mecanismos que promoveriam uma “tendência de estabilidade da moeda.”

Tal não ocorreu, pelo contrário, a moeda desvalorizou-se face às divisas (USD e Eur.). Entretanto, há indicadores que dão conta que a moeda nacional poderá sofrer outras desvalorizações ou depreciações que vão dar no mesmo, apesar dos esforços de Banco Nacional de Angola (BNA). As taxas de câmbio do kwanza face ao USD e ao euro vão começar a disparar a partir do próximo ano, de acordo a Economist Intelligence Unit (EIU). A EIU aponta este ano para uma taxa de câmbio de 374 Kz/USD, enquanto a do euro poderá ser de 430,3 Kz/Eur.

A EIU estima que, em 2020, a taxa de câmbio do kwanza face ao USD fique em 435,5 Kz por cada USD. A derrocada do kwanza face às divisas tira o sono de qualquer investidor nacional, importador e principalmente quem tem a missão de preservar e assegurar a política cambial nacional. Ainda por cima sendo já a segunda moeda que mais desvaloriza na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Contas feitas e apresentadas no destaque desta edição, a moeda terá perdido 75% do seu valor face ao USD.

De acordo com o BNA, o Kz a desvalorizar 23,4% em relação ao USD em 2015 e no primeiro semestre de 2016, em mais 18,4%. O banco central, como sabe, adoptou políticas restritivas de circulação da massa monetária em Kz e limitou naquele ano a venda de divisas aos bancos comerciais, priorizando as importações de bens de primeira necessidade, insumos agrícolas, medicamentos, via vendas directas. Por outro lado, no epicentro dos problemas cambiais estão as importações.

Embora tenham sido “definidas medidas concretas para estimular o fomento e aumento da produção nacional, com vista a reduzir paulatinamente as importações dos produtos que podem ser produzidos internamente, aumentar a diversificação e consequente aumento as exportações”.

Ainda assim, vai levar algum tempo até que haja um equilíbrio entre o valor total das importações e das exportações, sobretudo, para que as exportações gerem mais divisas e com o mais divisas a circular o Kwanza fica forte. Enquanto isso não acontece, quanto mais importarmos, mais desvalorizamos a nossa moeda. A venda de divisas pelo banco central, embora esteja a garantir importações diminui o valor da moeda nacional. Por isso, é preciso persistir na execução séria e comprometida de medidas candentes à estabilidade da moeda nacional.