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Em quem confiar?

22 Nov 2022 / 10:50 H.
Fernando Baxi

A sobrevivência das organizações depende muito da predisposição dos indivíduos a quem o proprietário confia a administração, principalmente se está impedido, seja qual for a razão do impedimento. Ao homem, Deus não deu o dom de conhecer o próprio homem.

Ninguém consegue prever o que outro pensa, daí a razão do adágio popular “O CORAÇÃO DO OUTRO, É OUTRO REINO”. Até os gémeos siameses têm pensamentos divergentes sobre determinado assunto. A discórdia entre siameses pode causar inimizade no seio deles, mas nenhum pode eliminar fisicamente o outro (não por falta de coragem), mas porque sabem que a morte de um significa (necessariamente) a morte do outro. Afinal, em quem devemos confiar para administrar o nosso património?

Aos nossos pais, filhos, irmãos, netos, primos, mulher, marido, namorado (a) ou amigo (a)? É uma questão difícil de se responder, pois o quotidiano nos oferece relatos de indivíduos que foram prejudicados por membros da família, parentes próximos e amigos de alta confiança. O homem atento não se deve esquecer do desabafo de Júlio César (imperador romano, século I A.C), “ATÉ TU BRUTUS, FILHO MEU? Apesar de todos os receios, o homem arrisca-se a confiar num ser inconstante.

O adágio popular diz que dentro do homem existem dois lobos: O LOBO DO AMOR E O LOBO DO ÓDIO, ambos disputam o poder sobre ele, vence aquele que alimenta. Ainda assim, o homem está condenado a confiar no semelhante, por isso François-Marie Arout “Voltaire” clama ao Senhor.

“QUE DEUS ME PROTEJA DOS MEUS AMIGOS, DOS MEUS INIMIGOS CUIDO EU”. A confiança é das premissas fundamentais para a estabilidade de qualquer organização, sobretudo empresarial, razão pela qual os donos devem se manter vigilantes diante dos indivíduos que confiam a administração da empresa, principalmente naquelas sociedades altamente lucrativas. Não deve desconfiar de todos, mas o quotidiano aconselha que se deve manter vigilante porque o homem por natureza é falível ou um ser imperfeito, capaz de confundir o mal com o bem.

Na maioria dos casos, o descaminho de recurso é uma das consequências quando um indivíduo é chamado a administrar o património do amigo ou parente, sem que haja fiscalização apertada. Para se evitar resultados desastrosos (do ponto de vista empresarial), o proprietário da sociedade tem a obrigação de reforçar os mecanismos de fiscalização, a fim de inibir qualquer acção que possa pôr em perigo o património, afinal a sabedoria bantu chama-nos a atenção para isso quando diz: “O BOI ENGORDA AOS OLHOS DO DONO”. Não nos devemos esquecer que “O CORAÇÃO DO OUTRO, É OUTRO REINO”.