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Economia está menos “dolarizada”

14 Nov 2022 / 12:15 H.
Henrique Kaniaki

Os dados do Banco Nacional de Angola (BNA) dizem que o nível de dolarização dos depósitos na economia caiu para 37% no final do terceiro trimestre de 2022, recuando para os níveis registados em 2014. Em 2012 o nível de dolarização dos depósitos no sistema financeiro angolano estava situado em 49%, ano em que se deu início a lei cambial no sector petrolífero.

Após a entrada em vigor da lei, o nível de dolarização dos depósitos começou a cair, até atingir um mínimo de 33%, entre 2016 e 2017. Em 2018, o nível de dolarização voltou a subir para 48% e no ano seguinte disparou para 55%. Em Maio de 2020, os depósitos em moeda estrangeira atingiram o pico de 59%. Em 2021 desceu para 49.

Afinal, quando é que uma economia está dolarizada? Uma economia diz-se dolarizada quando as populações residentes detêm uma parte significativa dos seus activos em moeda estrangeira, em particular, tal como o nome sugere, em dólares norte-americanos. Assim, a dolarização é a utilização de moeda estrangeira como meio de pagamento e reserva de valor numa economia.

Pode-se ainda dizer que é o processo pelo qual um país renuncia e extingue a circulação da sua moeda, em benefício de uma moeda estrangeira. Este processo, geralmente, ocorre em resposta a um ambiente de instabilidade económica, sobretudo marcado por elevadas taxas de inflação, assim como persistentes desvalorizações monetárias.

A dolarização funciona, assim, como instrumento de seguro por parte do cidadão, para minimizar o risco de uma desvalorização, assim como para se protegerem em relação às políticas dos governos. Ao redor do mundo alguns países já tiveram a sua economia dolarizada, de forma parcial ou informal, como foi o caso da Argentina, Cuba, Arábia Saudita; e outros de forma oficial, como medida para conter uma crise e eliminar a inflação, que é caso do Equador, Panamá, Zimbabwe e El salvador.

Nos últimos anos, a depreciação do Kwanza e as altas taxas de inflação levaram as empresas e as famílias a proteger a riqueza e os seus rendimentos, utilizando o dólar, o que elevou o nível de dolarização da economia. Com apreciação do Kwanza e queda da inflação que se verificou nos últimos meses, o nivel de dolarização caiu.

Não obstante, de forma directa ou indirecta, os agentes económicos continuam a indexar as suas expectativas de fixação de preços e reserva de valor em dólares. Pelo facto de o País ainda não apresentar uma estrutura de exportações que aguente as necessidades de financiamento externo, à medida que o preço do petróleo cair e o serviço da dívida pública externa tornar-se mais regular, o Kwanza pode voltar a depreciar mais, o que poderá elevar o nível de dolarização da economia. Assim, diversificar ainda é a palavra de ordem!