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Dilema da evolução

12 Abr 2021 / 15:04 H.
André Samuel

Pode o homem parar ou recuar o tempo? A resposta é tão obvia que faz a pergunta parecer despropositada. Ainda assim, e de forma propositada, coloco a questão, pois insistentemente ouço economistas/empresários receosos em aceitar medidas que a médio e longo prazo trarão resultados sustentáveis para o desenvolvimento do País, mas que no curto prazo causam “alguns” constrangimentos.

A lista de situações é extensa, mas vou me ater ao último evento, ou seja, as novas regras de importação (Big Bags). A medida tem como efeito fomentar a indústria de embalamento no País, com isso gerar emprego e receitas fiscais. Ganham os empresários, as famílias e o Estado, mas só daqui a alguns anos.

No curto prazo, o impacto é duro, a conta vai pesar na tesouraria do empresário que terá de adquirir a maquinaria para embalar e que por sua vez transfere o custo para o bolso do consumidor que paga a factura final, diga-se a bono da verdade “será salgada”. O custo de vida vai agravar ainda mais.

Foi defendido recentemente que se a medida tivesse sido implementada há 20 anos, hoje estaríamos a colher os benefícios da mesma. Está certa a afirmação, mas muitos interpretaram que os benefícios só virão daqui há mais duas décadas e como papagaios ecoaram a errónea interpretação espalhando o receio como se do vírus da Covid se tratasse.

Os benefícios não são imediatos, mas são sustentáveis. Não se trata de defender cegamente a medida, pois a mesma não é perfeita, assim como não há soluções perfeitas e milagrosas. Contudo, com os devidos ajustes e excepções, que discutidas de forma aberta entre empresários, académicos e o Executivo representado pela equipa do Ministério da Indústria e Comércio, vão gerar resultados ajustados a realidade do País.

Contrariar uma medida que visa o bem comum em defesa do interesse imediato de uma classe, que não é pouco privilegiada, escudando-se nos consumidores como se fosse a protecção destes o objectivo primário dos argumentos, é assumidamente mesquinhes intelectual.

Reforço aqui, as reformas nos tiram da zona de conforto e nos impõem sacrifícios, mas é exactamente aí que precisamos estar para evoluirmos. Como esta poderia elencar várias medidas que aparentemente são difíceis, mas cujos resultados apontam para melhorias do ambiente económico.