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Crescimento colaborativo

14 Fev 2020 / 15:54 H.
Aylton Melo

Historicamente, as crises económicas têm sido o trampolim que as economias precisam para se blindarem de actividades nocivas à retoma da estabilidade social e económica, mas acima de tudo uma grande moralização da sociedade.

A identificação e o combate aos crimes de colarinho branco acompanham o mote da recuperação de valores éticomorais, compliance e fortalecimento das instituições Estatais, como premissas para a reposição da ordem e do poder soberano do Estado. Quando bem conduzidos esses temas propagam benefícios a todos os sectores da vida do País, principalmente económicos. Mas também faz-se necessário devolver ao País mais do que todo o capital e património delapidado, uma verdadeira devoção à pátria. Há 55 anos, a Coreia do Sul era um país arrasado pela pobreza. Quando a reconstrução começou, logo após a separação da Coreia do Norte, o país estava em ruínas. O governo iniciou um programas para incentivar as famílias mais ricas do país a investir em conglomerados industriais. A riqueza dos clãs mais abastados é que impulsionaram a economia de 50 milhões de consumidores: LG e Samsung.

Hoje, o país vive um milagre económico e entrou para o grupo das nações desenvolvidas. A Coreia gera biliões USD com a exportação de marcas valiosas como Samsung, LG, Hyundai, Kia, Posco - a quarta maior fabricante de aço do mundo - e SK Hynix, a segunda na produção mundial de chips.

Ao colaborarem com as instituições do Estado e aceitarem investir todo a sua riqueza no País ajudaram a focar a sociedade na geração de conhecimento e know-how que cria marcas geradoras de biliões USD à economia. Marcas que atravessam continentes, tendo como base, outra receita simples: o valor do trabalho árduo e dedicado. Algo que se deve incutir mais e mais à geração que herdou a crise económica e todos os seus efeitos contagiantes, desde a primeira infância. Por valorizarem a sua terra natal, o desenvolvimento do País ocorreu por contágio, um crescimento colaborativo que afectou todas as áreas, atraindo inclusive parceiros (investimento externo) e a troca de conhecimento com outras economias. Por consequência, a melhoria da qualidade de vida e bem-estar, fez alargar a classe média do País. Hoje, os desafios propostos para a sociedade incentivam cada um a desenvolver inovação, empenho e dedicação aos estudos e trabalho. Isto exige muito comprometimento e apoio governamental. Entretanto, nem sempre um apoio quer dizer só financeiro, pode e deve ser do tipo que torne a recuperação ou resgate económico, um processo inclusivo urgente e colaborativo. Não há tempo a perder, é preciso que as reformas atinjam todos os profissionais incluindo académicos, uns impulsionando outros e vice-versa.