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Corporate Governance: Tendências e Alertas

Luanda /
21 Mar 2022 / 13:49 H.
Naiole Cohen dos Santos
João Dono

A ristóteles, alertou-nos, com sabedoria, que o Homem é um animal social. É da sua natureza viver, não isolado, mas em convivência dentro de um grupo organizado: em sociedade. A vida em sociedade é condição necessária, não só para a conservação da espécie humana, mas também para o seu progresso material e moral. Só em sociedade o Homem pode assegurar a sua subsistência, satisfazer as suas necessidades e prosseguir os seus fins.

Se hoje é pacifica a ideia da sociabilidade natural do homem, no passado alguns pensadores como Thomas Hobbes, John Locke e Jacques Rousseau, teorizaram acerca o “estado de natureza” cessou e deu lugar ao chamado “estado de sociedade”, devido a um acordo ou “contrato social”. Hoje os tempos são de mudança permanente exigindo a todos uma reflexão sobre o “contrato social” e sobre princípios e valores dos novos tempos.

As Empresas devem igualmente refletir sobre si próprias e ter um propósito. Recorrendo ao conceito de Golden Circle, criado por Simon Sinek, as empresas mais do que saber o que fazem, como fazem, devem saber o porquê, isto é, qual o verdadeiro propósito. Acrescentamos aqui mais um ponto relevante, devem saber como perpetuar o propósito para a eternidade, ou seja, devem ter sempre o Corporate como luz e guia na tomada das decisões.

O legado dos pensadores Thomas Hobbes, John Locke e Jacques Rousseau relativamente ao “contrato social “mais do que nunca inspiram o governance e empresas bem governadas e bem geridas. Isto é, não pode haver visão, propósito e legado sem Corporate Governance. Aristóteles, talvez, nos diria que nos dias de hoje, o Corporate Governance faz parte da natureza humana, pelos menos, dos grandes homens.

Desta natureza social, organizada, cooperativa do homem decorrem muitas consequências, inclusive da exclusão daqueles que não querem cooperar com a organização e com o valores e princípios aceites por todos.

Uma outra consequência decorre desta necessidade e do carácter temporário do homem na vida terrena. O homem tem necessidade de estabelecer relações que possam constituir um legado para as gerações futuras. Isso só é possível através de uma entidade tendencialmente imortal. Com esta objectivo, surgiram, assim as Empresas. Estas podem ser um instrumento onde o homem pode concretizar o seu propósito e deixar o seu legado para eternidade. O futuro faz-se, assim, hoje com os olhos postos nas preocupações sociais e ambientais, decorrentes das práticas de ESG (Environmental, Social and Governance).

E neste prisma ESG, o Homem tem um papel central pois, há que olhar para outros aspectos, como: a valorização do mérito, a justa e igual oportunidade às mulheres, a valorização e partilha do lucro com os trabalhadores, a protecção dos interesses das futuras gerações. Estas novas tendências e sinais, obrigam-me, pelo menos, a ter o Governance como ponto de ordem de todas as reuniões relevantes numa Empresa.

Ora, esta tendência natural do Corporate Governance deve orientar os sócios na constituição e organização das Empresas. Deve também, estar na base das decisões e responsabilidades dos Administradores. Hoje vários sinais nos alertam que a sociedade, corre o risco de perder clientes, fornecedores e investidores porque também os clientes, os consumidores não serão tolerantes com comportamentos desviantes dos pilares da natureza humana e dos princípios do Corporate Governance.

Olhando para a nossa realidade angolana, podemos perguntar se estamos ou não em sintonia com as alertas e tendências? Os exemplos falam por si. Cada leitor (administrador, gestor, empresário, trabalhador) pode tirar as suas conclusões. Mais do que isso, pode aproveitar para pensar em Governance e ajustar medidas. Já não podemos mudar a direcção do vento, todos os caminhos vão dar ao Governance, mas podemos, como nos aconselha o filósofo chinês, Confúcio, mudar a direcção das velas.

*Membros da Associação Angolana de Corporate Governance (ACGA)