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Até que enfim! Temos refinaria

Luanda /
09 Mai 2022 / 09:38 H.
Fernando Baxi

Afinal a construção da Refinaria de Petróleos de Cabinda não uma é promessa. É um projecto cuja materialização está para breve, como indicam as últimas informações sobre o programa (do Executivo) que visa a independência do País, relativamente aos derivados do petróleo, principalmente a gasolina, óleo diesel e o gasóleo marinho.

Uma equipa liderada pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, esteve no Texas (Houston, Estados Unidos da América), onde presenciou o teste da infra-estrutura que dará corpo à Refinaria de Cabinda, projecto orçado em pelo menos mil milhões de dólares com capacidade prevista para refinar 60 mil barris por dia.

O Estado terá gastado pelo menos 7 mil milhões dólares com a importação de combustíveis. É um custo elevado, tendo em conta a estrutura da economia angolana que precisa de dinheiro para a execução do programa de diversificação da economia. Aliás, a instalação da refinaria de petróleo na província de Cabinda enquadra-se no processo de restruturação da economia, pois Angola deixará de ser mero produtor de petróleo bruto e integrará a lista dos países destiladores do ouro negro. O País também irá incorporar outro segmento de negócio no domínio do ‘oil & gas’, (importação de derivado do petróleo). Ao contrário do costume, poderá ser um dos fornecedores dos mercados limítrofes (SADC) e da África Central, face ao posicionamento geográfico de Cabinda. A ‘vizinha’ República da Zâmbia rubricou (no ano passado) um memorando de entendimento com o Estado para a implementação de um projecto de construção de um gasoduto (pipelines) de multi-produtos refinados de petróleo e gás natural. As autoridades zambianas estão atentas e reconhecem o potencial de Angola no midstream.

Independentemente do cumprimento dos prazos dos vários projectos em carteira, a Refinaria de Cabinda é (praticamente) um facto. O teste de aceitação do equipamento nas instalações da VFuels (Oil & Gas Engineering) dá credibilidade ao programa de materialização do projecto de construção de refinarias de petróleo no País e quebra a perspectiva céptica (considera inviável a concretização do programa). Apesar do optismo, alguns analistas aconselham prudência porque nada ainda é concreto, basta lembrar a questão do Angosat-1. Só acreditarão na execução do projecto quando o equipamento estiver em solo pátrio (Cabinda). “Ainda nos podem dizer que o navio naufragou e perdemos o equipamento”, pensamento de um céptico que será quebrado com a entrada em funcionamento da Refinaria de Cabinda.