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Angola perde estatuto em África

Luanda /
29 Jan 2021 / 17:02 H.
Fernando Baxi

Angola já não é a terceira maior economia da África subsariana, um estatuto que alcançou em 2004, fruto da paz e do aumento progressivo do preço do petróleo no mercado internacional, tendo o Produto Interno Bruto (PIB) atingido os 23,6 mil milhões USD. Apesar de ínfimo, comparado com o da África do Sul (228,9 mil milhões USD) e da Nigéria (130,3 mil milhões USD), a economia angolana chegou ao areópago das economias africanas a sul do Saara. A estabilidade do preço do crude no circuito internacional suportava o PIB.

O Kwanza era forte diante das principais moedas internacionais. A pujança da economia foi posta à prova em finais de 2014, quando se ressentiu da queda do preço do petróleo, causando uma redução significativa das receitas fiscais.

Com uma economia dependente de única commodity e fortemente marcada pela corrupção, o Executivo anuncia reformas estruturais para diversificar a economia. A agricultura que (em tempo de bonança) não era tida nem achada foi vista como a principal saída da crise económica e financeira, agudizada com a retirada do dólar do sistema bancário e saída dos bancos correspondentes. Apesar do choque, a economia resistiu, permanecendo entre as três primeira da região subsariana até 2018. Fruto de recessões progressivas, em 2019, o PIB de Angola era de 89 mil milhões USD, no mesmo ano o do Quénia chegou a 95,4 mil milhões USD e da Etiópia 92,8 mil milhões USD. Assim, as economias queniana e etíope ultrapassavam a angolana. A economia angolana baixou para a quinta.

A situação macroeconómica, face à desvalorização do Kwanza, em consequência da liberação da taxa de câmbio em 2018, como descreve o Destaque do Jornal Mercado da presente edição, Angola foi ultrapassada por mais dois países (Gana e Tanzânia). As projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2021 indicam que o PIB (61,4 mil milhões USD) do País será o oitavo, atrás da Costa do Marfim (71,1 mil milhões USD). São quedas sucessivas do PIB de Angola, a economia não dá sinais de reaquecimento, situação que leva os especialistas a perspectivarem um cenário ainda mais pessimista. Enquanto a economia angolana depender da exportação do petróleo e dos diamantes (commodities cujos preços variam negativamente no mercado internacional), a situação permanecerá preocupante. A solução passa por fazer de Angola uma economia produtiva, o que se afigura uma missão quase impossível por falta de dinheiro, um problema que seria ultrapassado se o País fosse interessante ao investidor estrangeiro, apesar dos incentivos criados pelo Executivo. Independentemente do combate serrado contra a corrupção, o investidor estrangeiro mostra-se céptico, quanto à transparência do sistema de justiça que é dos indicadores fundamentais para a atracção de financiamento externo.