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Alterações climáticas podem “afundar” a economia

Luanda /
13 Dez 2022 / 08:31 H.
Henrique Kaniaki

Quem faz a economia são as pessoas, afundando a economia, afunda as pessoas também. Num estudo desenvolvido pelo Banco Mundial em parceria com o governo angolano, refere que o impacto das alterações climáticas, sem medidas de mitigação, pode fazer a economia angolana recuar entre 3 e 6% até 2050. Segundo a instituição, a seca custa 100 milhões USD por ano em Angola, isto é, as perdas económicas directas na agricultura devido à seca podem subir dos actuais 100 milhões USD por ano em todo o País para mais de 700 milhões anuais até 2100.

Em Angola, o aquecimento acelerou significativamente nos últimos anos, com um aumento em cerca de 1,4°C da temperatura média anual desde 1951, que afectou sobretudo o sul do País, que sofre uma seca grave e prolongada desde a última década, com condições descritas como as piores dos últimos 40 anos. O Banco Mundial indica que num cenário sem medidas de adaptação em Angola, e com eventos extremos mais graves (secas e inundações) a agricultura será duramente atingida, com uma produtividade agrícola até 7% mais baixa e a produtividade global dos trabalhadores poderá ser 4% inferior. As perdas e danos causados pelas cheias poderiam reduzir o valor do stock de capital não-petrolífero em Angola em 3 a 4%. Como resultado, por volta de 2050, o stock de capital no sector não petrolífero poderia ser 4% inferior, uma vez que activos como estradas, fábricas e maquinaria seriam destruídos por inundações e outros eventos extremos, diz a instituição de Bretton Woods.

Esta preocupação não está só no estudo do Banco Mundial. As alterações climáticas continuam a ser uma preocupação crescente dos Gen Z (as pessoas que nasceram entre 1995 a 2010) e dos Millenials (os que nasceram entre 1980 e 1994), de acordo com uma pesquisa da consultora Deloitte, onde 3/4 dos inquiridos consideram que o mundo está num momento decisivo de viragem, enquanto 2/3 indicaram que já foram pessoalmente impactados por eventos climáticos, enfatizando a urgência desta questão. Além das alterações climáticas, os jovens também estão preocupados com o custo de vida, a desigualdade da riqueza, os conflitos geopolíticos e a pandemia da Covid-19.

Entretanto, assim, como também recomenda o Banco Mundial, é necessário capacitar as principais instituições governamentais para enfrentar a crise climática e assegurar os recursos financeiros e humanos adequados que devem ser encarados como prioridade. O Governo tem muitos planos, inclusive, foram intensificados no OGE para 2023, nomeadamente, Planapecuária, o Planapescas e o Planagrão, que são necessários para a redução da dependência das importações dos alimentos básicos, por falta de investimento e produção. Já que o sector agrícola é um dos mais importantes (a base), logo, deve ser o que mais rapidamente tem de se adaptar às alterações climáticas.