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Aí está a chave!..

13 Set 2022 / 10:31 H.
Agostinho Rodrigues

Todos temos um longo caminho a percorrer”, disse recentemente ao Mercado o engenheiro agrónomo, Fernando Pacheco, quando abordava a importância do agronegócio no País. De facto, o caminho é ainda longo para o País em vários sectores, sobretudo na questão da auto-suficiência alimentar e exportação de excedentes, mas como diz o ditado chinês: “Por mais longa que seja a marcha começa sempre pelo primeiro passo”.

Um passo que foi dado esta semana com o lançamento da primeira pedra para a construção da fábrica de fertilizantes, no Soyo, província do Zaire. Trata-se da primeira unidade fabril do género do País, um dos factores chave para o desenvolvimento da agricultura a nível nacional, que detém forte potencial para tornar-se num dos países líderes na produção de distintos bens alimentares em África, devido aos seus solos férteis e ricos e às condições naturais favoráveis, adequado à criação de animais e à plantação de culturas variadas, de acordo com um estudo da PwC de 2018, uma empresa líder mundial na prestação de serviços profissionais ao sector da agricultura e à cadeia de valor alimentar.

Ora, se se levar em linha de conta que Angola utiliza actualmente apenas 10% dos 58 milhões de hectares de terra disponíveis para a produção agrícola ou que cerca de 90% das fazendas em Angola são de pequena e média dimensão, de acordo com dados do estudo “Agronegócio em Angola”, rapidamente se concluirá que o País tem todos os condimentos necessários para ser uma potência na cadeia de valor alimentar.

Logo, Angola está dependente de si mesmo, de incentivos direccionados a favor da agricultura, de créditos bonificados, tractores e máquinas. É pois chegada a hora para o chamado salto qualitativo à agricultura, na medida em que urge fazer transição da agricultura de subsistência para uma actividade agrícola à escala industrial, capaz de sustentar a indústria alimentar.

A agricultura de um país não deve se limitar apenas à subsistência, produzindo essencialmente mandioca, banana, batata rena, batata-doce, milho, tomate, cebola e abacaxi. A Nigéria, por exemplo, inaugurou a maior fábrica de fertilizantes da África, que tornará aquele país auto-suficiente na produção da commodity, abrindo caminho para a exportação para outros mercados africanos e para o resto do mundo.

A fábrica de fertilizantes de 2,5 bilhões USD do país mais populoso de África espera contribuir para a oferta global em meio ao impacto do aumento dos preços de cereais após a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, dois dos maiores países produtores de cereais e fertilizantes do mundo. Sabe-se, no entanto, que a agricultura é uma tábua de salvação para a economia da Nigéria, contribuindo com 25,8% do seu Produto Interno Bruto de 173 mil milhões USD, em 2021.