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Agricultura: O parente pobre dos Estados africanos

14 Fev 2020 / 09:31 H.
Agostinho Rodrigues

A comissária para a Economia Rural e Agricultura da União Africana (UA), Josefa Sacko, encorajou, em Adis Abeba, os Estados africanos para um investimento robusto no sector agrícola, de modo a inverter a tendência de importação de alimentos. Ora, esta é uma temática cuja discussão perdura no tempo, que entre o discurso oficial dos Estados africanos e a prática há um “tumular” distanciamento.

A este respeito, Bill Gates, fundador da Microsoft, que através da (fundação Bill&Melinda Gates, que apoia projectos sociais em África, nos sectores da Educação e Saúde, por entender que pessoas saudáveis e com boa educação geram desenvolvimento, defende que os líderes africanos “devem apostar forte no talento humano”, para que a Agenda “África 2063” possa atingir os seus objectivos. Bill Gates não tem dúvidas de que será esse “talento humano” que vai projectar, implementar e gerir todas as infraestruturas para suportar o desenvolvimento do continente. Angola é um dos países inseridos no contexto das nações africanas, que tacteia para diversificar a sua economia, quiçá, a produção de bens alimentares, mormente mais de 50 produtos da cesta básica cujos resultados não são ainda visíveis face a inexistência de crédito à agricultura. Investimento robusto no sector agrícola é de que o País deverá necessitar para a médio e longos prazos possa sair da dependência de importação de 80% de diversos bens de consumo. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), considera Angola um dos cinco países com maior potencial agrícola, em todo o mundo.

Tem 58 milhões de hectares de terra arável (o equivalente à superfície de um país maior que França) mas é vítima de si própria por negligenciar a agricultura nas últimas décadas, devido a dependência de uma única Commodity – o petróleo. Hoje, apenas 10% da terra é utilizada devido a insuficiente robustez de investimentos a agricultura familiar, com recurso a catana, enxada e falta de infraestruturas rodoviárias, que condiciona o escoamento de bens do campo para as superfícies comerciais. Para uma agricultura robusta, capaz de mitigar a importação de bens de consumo, o Executivo precisa aloucar mais de 1,4% do total da despesa do OGE 2020 para a agricultura, silvicultura, pesca e caça, representando apenas 0,5% do PIB.