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África gigante adormecido?

Luanda /
02 Jun 2022 / 11:50 H.
Henrique Kaniaki

Recentemente celebramos o dia da África, aos 25 de Maio. Mais do que celebrar, mostrar a cultura, as riquezas naturais e a história, importa que reflectamos sobre os caminhos do continente para atingirmos o esperado desenvolvimento, embora esteja distante da realidade. África tem a população mais jovem do planeta, com uma média de 18 anos entre os cerca de 1,3 mil milhão de habitantes. Também tem as maiores reservas de água, terras aráveis em abundância, clima propício e ambiente adaptável às exigências provocadas pelas energias limpas. Com toda riqueza natural que o continente tem, a região tem os países mais pobres do mundo. Por isso, há quem a chame de “gigante adormecido”.

Nas perspectivas macro-económicas regionais o Banco Mundial espera uma desaceleração do crescimento económico na África subsaariana (África negra) para 2022, onde muitos países ainda estão a recuperar do choque da covid-19 e enfrentam agora as consequências da guerra na Ucrânia. A instituição de Washington prevê um crescimento de 3,6% para 2022, abaixo dos 4% registados em 2021”. Segundo o Banco Mundial, o aumento dos preços do petróleo, gás e alimentos básicos provavelmente afectará particularmente as populações mais pobres das áreas urbanas.

O aprofundamento da integração regional no continente é um dos caminhos necessários para aumentar a capacidade de fornecimento e construção de cadeias de valor regionais. O estabelecimento do Acordo de Comércio Livre Continental Africano (AfCFTA) apresenta oportunidades para impulsionar o comércio intra-africano, reforçar as complementaridades da produção e exportação, criar emprego e limitar o impacto da volatilidade dos preços das mercadorias nos países participantes. África tem recursos suficientes para competir no mercado internacional e se tornar um interveniente importante, mas são necessárias reformas ousadas para ajudar o continente a vencer a luta contra a pobreza e a melhorar a vida da população. Os governantes do continente precisam tomar decisões concretas, ponderadas e flexíveis, para uma rápida recuperação e crescimento contínuo das suas nações. Aposta na tecnologia, e no capital humano deve ser intensificada, de lembrar que em 2000, em Dakar, Senegal, vários países acordaram em dedicar 20% das despesas públicas totais para a educação e em 2001, a Declaração de Abuja, Nigéria, na acordou-se que as despesas com a saúde deveriam representar 15% do orçamento. Precisamos melhorar as condições mínimas das populações. A economia faz-se com as pessoas. África não é só recursos naturais!