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Afinal é possível!..

Luanda /
05 Set 2022 / 12:14 H.
Agostinho Rodrigues

A Secil Marítima SA, empresa de navegação, começou a partir de 26 de Abril deste ano uma nova frente: o transporte de passageiros no âmbito do projecto de cabotagem para suprir as necessidades deste sector na zona norte e litoral do País.

Com foco no transporte marítimo, aéreo e rodoviário de mercadorias, a Secil Marítima está encarregue de gerir a frota de catamarãs sob tutela do Ministério dos Transportes, no âmbito da recuperação de activos e em compensação parcial de créditos que a petrolífera estatal detém no Grupo China Sonangol, que não conseguiu proceder aos pagamentos acordados.

Esta nova frente consiste no transporte de passageiros entre Soyo e Cabinda por catamarãs, num preço de 15 mil kz, cujos resultados das operações são considerados positivos. Volvidos alguns meses depois da “corrida” ao transporte de passageiros, o balanço indica que a empresa arrecadou mais de 100 milhões Kz. Indicativos de que afinal as empresas precisam, em alguns casos, de se reinventar. A Secil Marítima é a prova disto mesmo.

Provado que esta, surge agora consolidar a rota entre Soyo e Cabinda, para além do transporte a partir do “centro político e económico” do País (Luanda).

Em nosso entender, surge igualmente a elaboração de planos de operacionalização e comercial para outras regiões, com enfoque para Benguela e Namibe e porque não o Cuanza Sul, cobrindo o litoral do País.

No fundo, os benefícios do transporte fluvial são múltiplos, pois pode ser feito nos rios como vias de navegação, através das chamadas hidrovias. Esse tipo de transporte é usado para transportar grandes cargas por longas distâncias e assim ajudam o crescimento do comércio dos países.

O executivo através de parcerias público-privadas deveria apostar forte no transporte fluvial para a movimentação de passageiros, bens e serviços e promoção do turismo interno. Aliás, o País dispõe de grandes rios que podem ser navegáveis, como por exemplo, o maior e o mais navegável rio de Angola, o Kwanza, com 1.000 km de extensão, em cujo afluente, Lucala, se encontram as célebres Quedas de Calandula. Este rio conta com uma área total da bacia hidrográfica de 152 570 km2, o rio Zaire, um dos maiores de África e do planeta. Para tal, deverão ser realizados estudos para determinar se estes e outros rios são navegáveis para a promoção do transporte fluvial, pouco poluente com vantagens competitivas para a diversificação da economia. Pois não é por acaso que no mundo, o transporte fluvial é muito utilizado para o transporte de cargas e pessoas, com destaque para o Brasil, Europa, Estados Unidos, Japão, China, dentre outros.