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Afinal é possível

Luanda /
20 Jul 2020 / 15:19 H.
André Samuel

É ponto assente que toda crise traz consigo oportunidades e lições. O que difere é a capacidade de sairmos dela com as oportunidades bem exploradas e lições de prevenção para eventuais crises, ou não. Mas esta, causada pela pandemia COVID-19 e pela descida acentuada do preço do barril de petróleo no mercado internacional, com certeza apresenta inúmeras oportunidades tanto para o Executivo quanto para os agentes económicos.

A diversificação da economia nunca foi tão urgente quanto agora. Vejamos, a segurança alimentar foi posta em causa quando os principais destinos das nossas importações se viram afectados pela “corona crisis” e tiveram de concentrar a sua produção para atender as necessidades internas. As principais praças financeiras enxugaram a liquidez em tempo recorde, como consequência do actual momento económico.

Ora bem, se não importamos mais bens, nem mesmo a nossa dívida, a solução passa por reforçar a aposta na capacidade interna. Emagrecer as despesas e aumentar a capacidade de receita são alternativas incontornáveis.

As medidas que o Estado adoptou, nomeadamente os pacotes de investimento com o financiamento ao sector produtivo, agora de forma célere, tendo em conta o contexto, deverão ser aproveitadas pelos agentes económicos (empresas e famílias), que tendo o direito ao benefício da dúvida, mas, optando por colocar de lado as desconfianças, podem atender aos apelos de adesão. Pois de nada serve o pessimismo em momentos como estes.

Equipas técnicas especializadas foram criadas para acompanhar o processo, o que demonstra da parte de quem financia não querer repetir erros do passado. Por sua vez, cabe aos verdadeiros empresários acederem aos montantes disponíveis e alavancarem não só os seus negócios, mas também a economia nacional no seu todo. As medidas criadas visam promover o surgimento de novos projectos, em diversas áreas e para todos os quadrantes. Visam igualmente derrubar as burocracias para que as empresas surjam e cresçam num ambiente propício para o seu desenvolvimento.

Claramente, há uma forte aposta no empresariado nacional, o Estado procura reduzir a sua participação neste segmento acelerando o Programa de Privatização. Mesmo nas actuais condições, e ao fazer recurso às tecnologias de informação procura dar continuidade ao processo de auscultação, juntos dos investidores interessados no PROPRIV.

Em suma, tudo está a ser feito para que, por um lado, a actividade económica não abrande, e por outro, surjam novos projectos em condições não antes disponíveis. Quer do lado do Estado quer do lado dos agentes económicos, fica provado que afinal sempre foi possível criar e explorar oportunidades geradoras de ganhos para ambos.