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Afinal a quem devemos confiar?!

26 Out 2020 / 10:03 H.
Fernando Baxi

O Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Ministério da Economia e Planeamento (MEP) estão desencontrados, quanto à análise da evolução económica no II trimestre de 2020, comparativamente ao mesmo período de 2019. O MEP anunciou ao mundo que a economia angolana contraiu 4,8% do PIB naquele período, mas o draft das contas nacionais trimestrais (CNT) do INE, a que o Mercado teve acesso, aponta para uma contracção de 12,7%, contrariando (redondamente) as estimativas do departamento ministerial liderado por Sérgio Santos. As CNT do II trimestre de 2020 deveriam ser publicadas até 15 de Outubro, mas não aconteceu por orientação do MEP, como apurou o Mercado.

Afinal, a quem devemos acreditar? Quais foram as causas que levaram o Ministério de Sérgio Santos impedir a publicação das contas referentes ao II trimestre? Será mera coincidência a exoneração do director-geral do INE, a 16 de Outubro, um dia depois da data marcada para publicação das CNT do II trimestre de 2020?

Coincidência ou não, uma coisa é certa, as razões da exoneração de Camilo Ceitas nunca serão publicamente conhecidas, mas também vale apenas especular que terá sido pela elaboração do draft das CNT do II trimestre de 2020, até porque há rumores que apontam para tal.

Todavia, os dados do INE “versão Camilo Ceitas” dão outra visão a respeito das estatísticas anteriormente divulgadas. Apesar das evidências, quadros seniores do MEP contestam os dados estatísticos que constam do draft, alegando de que estão por ser divulgados. Graças ao draft do INE (se calhar censurado) o leitor poderá tomar conhecimento de que o II trimestre foi mais “negro” da década e o sector dos transportes sofreu uma quebra de 69,5%, pela paralisação dos serviços, face ao estado de emergência e posteriormente a situação de calamidade pública em função da pandemia da COVID-19 (SARS-CoV-2).

As CNT do II trimestre de 2020 também ilustram que a maior retração foi registada nos subsídios com um afundanço de 71,4%. Não fosse ainda a informação estatística produzida pelo INE, sob direcção de CamiloCeitas, já substituído por Channey Rosa John, Angola e o mundo jamais saberiam que a actividade do Governo recuou 48,8% e deve-se ao facto de o sector público ter sofrido uma redução de funcionário a 50% em funcionamento das actividades. Se o draft não fosse produzido e Jornal Mercado não tivesse acesso exclusivo ao mesmo, os angolanos e o mundo jamais teriam conhecimento do real estado da economia angolana, no II trimestre de 2020.