A meta no horizonte

18 Abr 2019 / 11:10 H.
André Samuel

Uma vez mais iremos rever o OGE, a semelhança de a escassos anos. Mas afinal o que foi que aprendemos com a crise, cujos efeitos ainda permanecem patentes na vida de todos, sejam pessoas colectivas ou singulares?

Até quando iremos conceber programas, estratégias e orçamentos com base empropósitos políticos, ignorando o parecer dos técnicos, apenas com o intuito de parecer bem no “filme” para a posterior rever e assumir que erramos nos cálculos e adoptarmos uma postura mais conservadora?

Ora, o crescimento económico previsto para o corrente ano, estimado em 2%, foi corrigido para 0,4%, a Estratégia de Longo Prazo a seis anos da sua conclusão foi protelada para mais 25 anos, o OGE projectado tendo em conta o preço do barril de petróleo a 68 USD vai agora ser redefinido e ao que tudo indica a 55 USD. Quanto a este último, não foi por falta de aconselhamento.

Tomamos conhecimento que durante a elaboração do actual OGE, os técnicos do Ministério das Finanças encarregues pelo processo, “definiram” o preço a ter em conta de forma moderada e bastante realista.

Não foram os únicos, durante a discussão do documento na casa das leis, a Assembleia Nacional, os deputados (os da minoria não dominante) apelavam por alguma moderação. Bem, agora podem dizer “nós avisamos” .

Que fique claro, colocar metas na linha do horizonte, ou seja, inalcançáveis pode ter um efeito bastante negativo para a credibilidade do País.

Estamos num período de reconstrução, ou melhor, de resgate não só da economia, mas e acima de tudo da credibilidade a nível internacional (importante para futuras parcerias económicas).

Somos mais credíveis se fixarmos planos e os cumprirmos, sermos megalómanos na concepção dos projectos não tem surtido efeito, mudemos a estratégia e avancemos com a melhor das abordagens, a de eficácia.