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A instabilidade gera estabilidade!

15 Ago 2022 / 11:05 H.
Fernando Baxi

É contra humanidade aceitar ou ser paladino da convicção de que a estabilidade económica global depende da instabilidade (económico-social) de alguns Estados ou regiões do mundo.

Mas, às vezes, os factos levam-nos a anuir esta crença, em desprezo ao sofrimento de quem esteja a sofrer as consequências da instabilidade, vista noutras economias como elemento motivador da estabilidade macroeconómica. Absurdo ou não, alguns analistas consideram que a estabilidade no Médio Oriente (Ásia) e em alguns países do Norte de África (Líbia) pode causar um abrandamento ao crescimento das economias mundiais.

O embargo à venda de petróleo que os Estados Unidos da América impuseram à República Islâmica do Irão, na primeira década do século XXI, resultante do impasse a respeito do programa nuclear iraniano, estimulou o aumento do preço desta matéria-prima no mercado mundial.

Enquanto a maioria das economias exportadoras de crude prosperava, fruto das avultadas quantidades de dólares conseguidas, a economia do país islâmico xiita passava por enormes dificuldades.

À semelhança de Angola, o petróleo bruto é a principal fonte de receitas fiscais. Era um fenómeno paradoxal, enquanto os iranianos sofriam em consequência do embargo norte-americano, outros prosperavam pela mesma razão.

Hoje, Angola também beneficia da instabilidades que algumas economias atravessam. A título de exemplo, o Estado arrecadou, em Julho de 2022, mais de 1,5 biliões de Kwanzas em receitas fiscais petrolíferas, um crescimento de 141%, face ao mesmo mês em 2021, cujo montante ‘amealhado’ foi de 673,3 mil milhões Kz. Ainda que se queira negar, o valor conseguido na tributação petrolífera está intimamente ligado à valorização do petróleo no mercado mundial, que é resultado do confronto militar russo-ucraniano.

Enquanto o povo ucraniano sofre as agruras da guerra, a maioria das economias mundiais crescem. A indústria petrolífera foi das mais beneficiadas, pois estava numa situação letárgica, face aos efeitos da pandemia da Covid-19. O mundo é contra a guerra, independentemente das razões que a motivaram.

O angolano conhece (como poucos povos no mundo) as consequências da guerra. Aliás, é uma das principais causas do atraso económico do País. Apesar de todos os argumentos, o conflito russo-ucraniano ajudou a economia angolana (que já tinha regressado à rota do crescimento) sair do aperto causado pela pandemia da Covid-19 e pela crise económica financeira (2014).

*Fernando Baxi