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A imperfeição da ética empresarial: lucro versus impacto social

13 Jan 2020 / 16:04 H.
Benjamim M bakassy

Há quem diga que o dinheiro compra a felicidade. Aos quais a felicidade lhes diz que ninguém a comprar poderia. Da perfeita perfeição nem a própria se daria, nem por partes, nem na totalidade, por saber que não existe. As empresas foram criadas para serem veículos comercias para a criação de riqueza. Contudo, a ética empresarial faz delas mais do que a sua própria razão de emergência, mesmo quando, se não economicamente viável, nenhuma empresa deveria nascer. Mas qual será o seu impacto social? Não seria tal pergunta imaginável no contexto empresarial? Será uma pergunta assim um desvio do seu propósito comercial, ou será tal pergunta um acréscimo de valor? Ou talvez que projectos ou programas poderiam ser encubados em determinadas empresas? - como diria o meu amigo RP. O valor social das empresas nada mais é – em alguns casos – do que um nível de valor acrescentado, uma dimensão das variáveis diferenciais. As empresas éticas nunca poderão ser empresas não lucrativas. Contudo, é importante definir com assertividade aquilo que é definido como sendo lucro. Lucro é diferente de lucrativo, assim como dinheiro é diferente daquilo que tem valor. Dinheiro pode ser trocado por outras coisas, mas nem tudo o que pode ser transaccionado adquire mais valor por motivo da sua troca por outra coisa. Aqueles que humanamente criam impacto social através de organizações comerciais são verdadeiros heróis. É-me humanamente impossível – no meu estado actual – pensar em heróis humanos que não sejam criadores de impacto social. Em tempos passados, era suficiente ser-se capaz de criar riqueza para que admiradores surgissem de todos os lados. Nos dias que correm, não mais é assim – a bem da verdade, não deveria ser, humanamente, não deveria. Apesar da certeza da mortalidade, cada vez mais a certeza perene transforma profetas do eterno em viventes da mortalidade. Cada vez mais, é certo que o nosso legado em muito deveria ser superior à nossa existência. Mas quem não quer viver? Quem não quer nos seus braços suster toda a eternidade de uma vida? Se pudéssemos, quem não teria nas suas mãos o coração da humanidade, para que, com ele nas mãos, possível fosse dizer que o mundo é seu? As empresas têm um papel fundamental na sociedade. Como se chegou aqui, ninguém sabe, para além dos historiadores. Contam-se histórias sobre o mundo desde que o mundo é mundo. Pensar o mundo é cogitar causas da existência humana.

Por que nascemos? Será que somos nada? Para onde iremos depois daqui? Será que nada existe depois da carne? A vida é o palpável que para as empresas delimita a virtude da sua própria existência. Será que é demasiado exigir a organizações comerciais uma visão do mundo que ultrapasse os seus próprios limites? As sociedades modernas existem com uma base extremamente estruturada cuja estrutura está assente numa base de perpetuidade do lucro e não eternidade do humanamente divino. Pensar a perpetuidade significa pensar em coisas que poderão existir durante longos espaços de tempo sem que literalmente se pense no para sempre. Empresas perpétuas são empresas cuja utilidade pode ser pensada no longo prazo, como por exemplo bancos, empresas de seguros, empresas como a IKEA, ou empresas que produzem bens alimentares ou de higiene, etc...

Pensar a perpetuidade nas empresas pode – às vezes – ser o reflexo de pensar o sempre comercial sem necessariamente pensar o sempre para o sempre humano... Os objectivos de desenvolvimento sustentável são um um apelo ao contexto empresarial.

Nomeadamente:

Que se erradique a fome.

Que se erradique o desemprego.

Que se erradique a sede.

Que se erradique a ausência de educação.

Que se erradique a ausência de cuidados de saúde em zonas urbanas e não urbanas.

Que se erradique a insegurança alimentar.

Que se erradique a ausência de electricidade.

Que se erradique a ausência de água potável.

Que se erradique a equidade de género e no seu lugar emirja a equidade humana.

Que se erradique a erradicação de todas as causas cujas causas sejam eticamente desumanas e a sua ausência de ética seja meramente humanamente comercial.

Que de todas as imperfeições da Ética Empresarial reste apenas a sua história e registo do seu impacto social, pura e simplesmente, histórico, sem réstias de futuro algum.