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A “Guerra” das previsões: Economia cheira a sexta recessão

Luanda /
08 Set 2021 / 14:49 H.
Henrique Kaniaki

O destino da economia de Angola continua contingente, devido à “guerra” de previsões que muitas instituições têm feito para o ano de 2021. Não se sabe onde o PIB vai atracar. Se vai estagnar, ou expandir, ou mesmo afundar. As últimas previsões cheiram a recessão.

No OGE de 2021, o Governo prevê uma estagnação da economia, ou seja, crescimento zero. Desta vez o Executivo foi mais cauteloso. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola acreditam que economia vai mesmo afundar. O FMI começou por dizer que a economia iria crescer 4%. Em Junho, pirou a previsão de crescimento para uma queda de 0,1%. Segundo a instituição de Washington a culpa é do petróleo, que poderá ter uma quebra de 7%.

Já o CEIC vai mais longe. No mais recente relatório Económico 2019-20, a economia vai cair 1,98%. Alem do petróleo que já é música, Alves da Rocha e o seu Staff, culpam o falhanço do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) que contribui para o desempenho negativo.

Ao contrário do FMI e do CEIC, outras instituições esperam uma expansão da economia. No Topo dos mais dos optimistas está o BAD, que projecta uma expansão de 3,1%. Segue-se o BFA com previsão de 3% e o sul-africano Standard Bank com 0,7%.

O Banco Mundial, está menos optimista do que no princípio do ano. A segunda instituição de Bretton Woods reviu em baixa a previsão de crescimento de 0,9% para 0,5%.

A Fitch seguiu o mesmo caminho, baixou as estimadas para 0,1%, contra os 1,7% previstos em Junho último. Os dados de fontes oficias mostram que os primeiros dois passos que a economia deu, o PIB caiu. Por exemplo, no primeiro trimestre deste ano, segundo o INE a economia contraiu 3,4% face ao mesmo período de 2020, devido o “afundanço” de 18,6% do sector petrolífero. Ainda nas vestes de ministro da Economia e Planeamento, Sérgio Santos, avançou que no segundo trimestre a economia voltou a cair, prevendo uma contracção de 2,4%.

A culpa recai novamente ao comportamento da produção petrolífera que recuou neste período de 12,2%, segundo Sérgio Santos, que depois de dois dias entregou a pasta da Economia a Mário Caetano João.

Com esses dois passos para trás, a vista do crescimento está cada vez mais “fusca”, aguardando por um melhor desempenho do sector não petrolífero e uma boa disposição do

sector petróleo. Caso não, a economia volta “afogar-se” num mar de recessões, afundando pela sexta vez. Tudo mostra que o “general” ouro negro continua a mandar fortemente na economia. Nem mesmo o brilho forte dos diamantes e as lindas terras aráveis do País atraem o Gigante africano que adormece há cinco anos. Precisamos diversificar!

*Editor de Economia e Finanças