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A ENDE pode ser rentável mas!..

Luanda /
27 Jun 2022 / 10:28 H.
Agostinho Rodrigues

A meta da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) até 2022 é inserir 97% dos consumidores de electricidade no sistema pré-pago. Ou seja, baixar a percentagem dos consumidores do seguimento pós-pago para 3%.

Actualmente, indicam dados oficiais, existem 652 mil clientes pré-pagos, num universo de 1,7 milhões de clientes nas províncias de Luanda e Bengo, enquanto os clientes sujeitos ao cálculo estimado rondam os 400 mil. Esta empresa do sector empresarial público pode ser mais rentável, ajudando a ser uma das “almofadas” para o OGE, mas tal não sucede por adoptar, insistir em métodos arcaicos de cobrança dos clientes, acabando por não praticar um preço justo através do chamado pagamento por cálculo.

Dados da ENDE de 2021 apontam para uma dívida de 14,1 mil milhões Kz só de clientes do Distrito Urbano do Kilamba Kiaxi, em Luanda. Logo, migrar para o sistema pré-pago é desejo da maioria dos consumidores, que ao que tudo indica há pouco comprometimento da ENDE para atingir os 97% de clientes no sistema pré-pago, pois nos parece eventualmente deliberado manter um universo grande no pós-pago por ser fonte de rendimento que enriquece muita gente. Alguém anda alegadamente a tirar proveito próprio com os clientes sujeitos ao cálculo estimado. Urge por isso que se melhore a rede para que o sistema pré-pago seja uma realidade, principalmente pelas vantagens do referido sistema, que permite aos clientes um consumo de energia com total controlo sobre os seus custos e sem necessidade de receber factura no final do mês.

Em declarações esta semana a RNA, o Presidente do Conselho de Administração da ENDE, Hélder Adão, reafirmou a necessidade, ou seja, diz que a empresa tem em carteira o projecto de instalação de perto de um milhão e quinhentos mil de contadores pré-pagos em todo o País. Um projecto que conta com o financiamento do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). Oxalá que desta vez não seja mais um discurso para o inglês ver, pois massificar o sistema pré-pago para ENDE e EPAL pode ser um impulso – uma alavanca para o desenvolvimento da economia. O fim do pagamento de electricidade por estimativa não pode estar dependente da instalação de um 1,2 milhões de contadores do sistema pré-pago, como diz o PCA da ENDE, Hélder Adão, mas passa por o Executivo obter financiamento da banca e de rubricar parcerias com indústrias de electricidade, para o fornecimento dos tão propalados cotadores, que ao que se sabe já são produzidos localmente, na Zoa Económica Especial (ZEE)..