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A dívida é bem-vinda mas...

Luanda /
13 Dez 2022 / 08:37 H.
Estêvão Martins

Angola continua a ser um dos países africanos mais endividados, sendo a maior parte dela adquirida depois da assinatura dos acordos de paz, em 2002, que ditou o fim do conflito armado, no sentido de suportar o Programa de Reconstrução Nacional, que eclodiu logo a seguir. Sem dinheiro e sem garantias de financiamento por parte dos países europeus e instituições financeiras internacionais, Angola piscou o olho à China e esta abriu os cordões à bolsa sem pestanejar e financiou quase tudo que tinha para financiar.

O destaque recai para a construção de 28 mil quilómetros de caminhos-de-ferro, 20 mil quilómetros de estradas, hospitais, centralidades em várias províncias do País, algumas das quais ainda em fase de construção, entre outras infra-estruturas. Nesta altura a dívida externa de Angola para com o gigante asiático, que já tinha estado acima dos 40 mil milhões USD, está cifrada em 21,4 mil milhões de USD, segundo o embaixador chinês em Angola, Gong Tao, que cita dados do BNA. O problema não está na contracção da dívida, mas sim na forma do tratamento ou da aplicação do dinheiro. E é aí, efectivamente, onde a ‘porca torce o rabo’, pois além da corrupção que se gerou em torno dos biliões da China, que enriqueceu e continua a encher os bolsos de meia dúzia de chico-espertos, está a questão da má qualidade das obras públicas que vieram a reboque.

A qualidade das obras executadas pelas empresas chinesas em Angola deixou muito a desejar. Estradas, hospitais e moradias apresentam muitos problemas em pouco tempo de duração. Um dos casos mais mediáticos aconteceu com o Hospital Geral de Luanda, que teve mesmo de ser demolido em 2010, apenas quatro anos depois da sua inauguração, para não falar das centralidades e das estradas do País, que em menos de três anos depois da sua construção tiveram a necessidade de serem reconstruídas novamente. A questão da fiscalização nesses casos também foi apontada como estando no cerne dos problemas. Angola continua a contrair empréstimos para alimentar a sua economia e materializar os projectos de investimentos públicos e urge não repetir os erros do passado, sob pena de ficarmos ultrapassados no tempo, com um País a manter-se na linha do subdesenvolvimento.