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À beira da recessão: a Bitcoin pode sobreviver à sua primeira crise económica global?

Luanda /
26 Set 2022 / 10:10 H.
Daniel Sapateiro

OBitcoin não passou por uma recessão completa desde que foi lançado como resposta à crise financeira global de 2008.

O Bitcoin (BTC) foi uma resposta à recessão global de 2008. Introduziu uma nova maneira de fazer transacções sem depender da confiança de terceiros, como bancos, particularmente bancos falidos que, no entanto, foram socorridos pelo governo às custas do público, como foi o caso do banco centenário Lehman Brothers.

Devemos confiar nos bancos centrais para não rebaixar a moeda, mas a história das moedas fiduciárias está cheia de violações dessa confiança.

Enquanto as moedas digitais “Bitcoins” mantêm os blocos de mineração imperturbáveis e suas propriedades semelhantes ao ouro atraíram investidores que buscam “ouro digital”, a sua actual queda de 75% em relação aos máximos de US$ 69.000 em Novembro de 2021 demonstra que não é imune às forças económicas globais.

Simultaneamente, todo o mercado de criptomoedas perdeu US$ 2,25 trilhões no mesmo período, sugerindo uma destruição de demanda em larga escala no setor.

A queda do Bitcoin (moeda) apareceu durante o período de inflação crescente e a resposta agressiva dos bancos centrais globais a ela. Notavelmente, o banco central norte-americana: Federal Reserve (FED) elevou as suas taxas de referência em 75 pontos base (0,75%) (bps) em 15 de Junho de 2022 para conter a inflação que atingiu 8,4% em Maio do corrente ano.

Além disso, o crash deixou o BTC tendendo ainda mais em sincronia com o desempenho do Nasdaq Composite. O índice do mercado de acções dos EUA caiu mais de 30% entre Novembro de 2021 e Junho de 2022.

Mais aumentos de juros pela frente

O presidente do FED, Jerome Powell, observou no seu depoimento no Congresso americano, que os seus aumentos nas taxas continuariam a reduzir a inflação, embora acrescentando que “o ritmo dessas mudanças continuará a depender dos dados recebidos e da evolução das perspectivas para a economia”.

A declaração seguiu uma pesquisa de economistas da agência Reuters, que concordou que o FED aumentaria as taxas de referência em mais 75 bps em Julho e seguirá com um aumento de 0,5% em Setembro.

Adiciona, assim, mais potencial negativo a um mercado de criptomoedas já em declínio.

Todavia, uma reviravolta nas políticas agressivas parece improvável no curto prazo, dada a meta de inflação de 2% do banco central. Curiosamente, a diferença entre as taxas dos fundos do FED e o índice de preços ao consumidor (CPI) é agora a maior já registada.

Bitcoin enfrenta primeira possível recessão

De acordo com os resultados de uma pesquisa que pude ler do Financial Times, a maioria dos economistas (70%), acreditam que a economia dos EUA entrará em recessão no ano de 2022 e em 2023 devido a um FED agressivo.

Para recapitular, um país entra em recessão quando sua economia enfrenta um Produto Interno Bruto (PIB) negativo, juntamente com níveis crescentes de desemprego, queda nas vendas no comércio e uma produção manufacturação mais baixa por um longo período de tempo.

Notavelmente e ainda de acordo com a mesma pesquisa, cerca de 38% esperam que a recessão comece no primeiro semestre de 2023, enquanto 30% prevêem que o mesmo aconteça durante a sessão do terceiro e quarto trimestres de 2022. Além disso, uma pesquisa separada realizada pela Bloomberg em Maio mostra uma possibilidade de recessão de 30% no próximo ano.

Powell também observou, igualmente, numa entrevista colectiva de 22 de Junho que a recessão é “certamente uma possibilidade” devido a “eventos dos últimos meses em todo o mundo”, ou seja, a guerra Ucrânia-Rússia, que causou uma crise alimentar e de petróleo em todo o mundo.

As previsões arriscam colocar o Bitcoin antes de uma crise económica completa. E o facto de não ter se comportado como um activo seguro durante o período de inflação crescente aumenta a probabilidade de que continue a cair junto com os índices de Wall Street, principalmente acções de tecnologia.

Enquanto isso, o colapso do Terra (LUNA, desde então renomeado LUNC), um projecto de “estável moeda algorítmica” de US$ 40 bilhões, que levou a problemas de insolvência na Three Arrow Capital, o maior fundo de hedge de criptomoedas, também destruiu a demanda em todo o sector de criptomoedas.

Por exemplo, o Ether (ETH), a segunda maior criptomoeda depois do Bitcoin, caiu mais de 80% para baixas de US$ 880 durante o ciclo de baixa em andamento.

Da mesma forma, outros activos digitais de alto nível, incluindo Cardano (ADA), Solana (SOL) e Avalanche (AVAX), caíram na faixa de 85% a mais de 90% em relação aos picos de 2021.

Os mercados de “Urso” do BTC não são novidade

As previsões de baixa para o Bitcoin prevêem que o preço fique abaixo de seu nível de suporte de US$ 20.000, com Leigh Drogen, sócio geral e CIO da Starkiller Capital, um fundo de hedge quantitativo de activos digitais, antecipando que a moeda chegará a US$ 10.000, uma queda de 85% em relação ao seu pico nível.

No entanto, há poucas evidências do desaparecimento total do Bitcoin, especialmente após o confronto da moeda com seis mercados em baixa (com base em suas correções de mais de 20%) no passado, cada um levando a um nível acima do recorde anterior.

É provável que o Bitcoin caia ainda mais em um ambiente de taxas de juros mais altas - semelhante à forma como o S&P 500 de referência dos EUA caiu várias vezes nos últimos 100 anos - apenas para se recuperar fortemente.

Conclusão

A maioria das altcoins (novas moedas digitais e alternativas à Bitcoin) vai morrer. Muitas dessas chamadas criptomoedas alternativas, ou “altcoins”, caíram para a morte este ano, com algumas moedas de baixa capitalização, em particular, registando mais de 99% de declínios nos preços. É uma frase dura e assertiva, mas tendo em conta os vários artigos que tenho escrito, os cinco (5) anteriores culminam com esta conclusão, mas as moedas mais fortes como são: a Bitcoin, Ethereum, Tether, Binance Coin, Cardano, Ripple, Dogecoin, Solana, Monero e Sandbox. Apesar de terem mais procura e valorização, as moedas digitais continuam a não ter activos de suporte e garantia e em termos de regras de compliance são reduzidas e são instrumentos possíveis para a criminalidade informática e digital, como escrevi neste mesmo jornal na semana passada.