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Turismo em África só regressa aos níveis pré-pandémicos em 2024

A recuperação económica nestes países vai provavelmente ser difícil e vulnerável a novos choques nas viagens a nível mundial, incluindo de novas variantes”.

Angola /
14 Jan 2022 / 09:04 H.

O Departamento das Nações Unidas para Assuntos Económicos e Sociais (UNDESA) alertou que o regresso dos turistas ao nível registado antes da pandemia da COVID-19 só deverá acontecer “muito possivelmente” em 2024, avançou a Lusa.

“As economias dependentes do turismo em África têm perspectivas positivas de evolução, embora a base seja bastante baixa, impulsionadas pelo abrandamento das restrições às viagens e à recuperação económica nos mercados de origem, na Europa e na Ásia, bem como devido à maior confiança para viajar associada com o sucesso das medidas de contenção e taxas de vacinação relativamente altas, como existe em Cabo Verde, Ilhas Comores, Maurícias, Marrocos, São Tomé e Príncipe e Tunísia”, diz a ONU.

No relatório sobre a Situação e Perspectivas Económicas Mundiais das Nações Unidas para 2022, divulgado em Washington, a parte que diz respeito a África alerta que, “no entanto, as chegadas de turistas não deverão regressar aos níveis de 2019 antes de 2023 e, muito possivelmente, 2024”.

O que implica, acrescentam, que “a recuperação económica nestes países vai provavelmente ser difícil e vulnerável a novos choques nas viagens a nível mundial, incluindo de novas variantes”.

Assim, concluem, “as indústrias dependentes do turismo, como a conservação da vida selvagem e protecção ambiental, e os trabalhadores informais do sector deverão enfrentar outro ano difícil, com efeitos agravados a longo prazo”.

Sobre as vacinas, a UNDESA lamenta que a maioria dos países africanos tenha vacinado menos de 5% da população, “falhando a meta da Organização Mundial de Saúde de 10% de cobertura até Setembro de 2021 e 40% no final de 2021”, e aponta que apenas cinco países africanos estavam acima dos 40% no final do ano passado: Cabo Verde, Ilhas Maurícias, Marrocos, Seicheles e Tunísia.

“A distribuição das vacinas tem sido prejudicada pelo preço, resistência, logística, constrangimentos globais à produção e açambarcamento no estrangeiro”, afirma a UNDESA, concluindo que “a solidariedade global foi largamente inadequada, com os compromissos e as entregas à Covax a ficarem aquém das necessidades”.

O relatório da ONU surge no dia em que o director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC) afirmou que os países africanos receberam até agora 663 milhões de doses, das quais administraram 340 milhões, o que equivale a 60,4% do total.

No total, 10,1% da população do continente está completamente imunizada contra a COVID-19, acrescentou John Nkengasong, que destacou os países que têm feito maiores progressos em termos de cobertura vacinal completa: Egipto (22,3%) Marrocos (62,3%), África do Sul (27,3%), Argélia (2,4%) e Moçambique (23,8%).