Técnicas modernas aumentam produção agrícola em 400%

A evolução da agricultura e o aumento da produtividade na última década tem sido exponencial graças ao investimento em novas e mais modernas tecnologias de cultivo.

Angola /
14 Jan 2019 / 09:49 H.

A revolução tecnológica na agricultura permitiu aumentar de 900 milhões toneladas para 4.600 milhões toneladas de alimentos no mundo entre 2013 e 2015, uma evolução da oferta de alimentos em 411%, segundo a AgFunder Resources.

AgFunder é uma plataforma online de capital de risco que aposta em empreendedores excepcionais no sector agrícola. Foi fundada por uma equipa de tecnólogos e profissionais ligados à indústria agrícola. Segundo esta instituição com sede nos Estados Unidos da América, que identifica oportunidades de investimento na agricultura em todas as geografias, o desenvolvimento de novas tecnologias tem aumentado a produtividade no sector.

A indústria tecnológica virada para a agricultura desenvolveu várias tecnologias emergentes que revolucionaram e continuarão a revolucionar as zonas de cultivo nos próximos tempos. Em Angola, alguns projectos agro-industriais já apostam em alguns sistemas tecnológicos que tornam a produção mais eficaz e a custos reduzidos. Um destes sistemas é o sensor Big Data. É um sistema informático que circunscreve um conjunto de benefícios que permite identificar potenciais problemas na produção, assim como economiza os insumos envolvidos na sua utilização diária.

A outra técnica, porém ainda pouco difundida em Angola, é a robótica agro-pecuária, tornando mais rápido o processo de produção de leite. Os primeiros robots aplicados na agricultura foram os de ordenha automática, que permitem extrair mais quantidade de leite num curto espaço de tempo. Segundo a Agtech, que também desenvolve estudos de mercado sobre a distribuição de alimentos no mundo, com o surgimento de robôs para a ordenha, que inclui uma grande componente informática, surgiram os drones que permitem controlar, de forma célere e sem mudar de lugar, desde o diagnóstico de doenças ao controlo extensivo.

No quesito do avanço tecnológico, destaca a Agtech, alguns países da Europa já trabalham com tractores que preparam a terra de forma autónoma, isto é, sem a intervenção de um condutor. Esta nova tecnologia permite ao agricultor/ técnico controlar o trator através de um computador ou tablet, programando-os para as tarefas que devem desempenhar, enquanto o agricultor trata de outras tarefas. Entretanto, entre os avanços tecnológicos que têm contribuído para o aumento exponencial da produção de alimentos, a biotecnologia e Big Data Biológico têm-se revelado temas desconfortáveis entre os agricultores, ambientalistas e cientistas pró-transgénicos. Enquanto não se chega a consenso, é uma tecnologia cada vez mais confinada à esfera agro-pecuária em simultâneo com os sensores Big Data.

Esta técnica permite fazer descobertas genéticas e moleculares em espécies vegetais e animais a uma velocidade sem precedentes. Permite também descobrir os genes directamente envolvidos em processos biológicos específicos de plantas e animais, reforçando as suas resistências e melhorando a produtividade. Em paralelo, foram desenvolvidas técnicas que permitem a rápida remoção ou adição de genes específicos, como em batatas, de uma forma menos intrusiva que as modificações genéticas tradicionais.

O engenheiro agrónomo Isaac dos Anjos explica que esta técnica também é aplicada em Angola e as plantas são resultado da cultura de tecidos. Ou seja, “em vez da multiplicação ser por pánculos vegetativos normais, pequenas porções de tecido são extraídas das gemas de crescimento, e estas dão origem a novas plantas. São técnicas modernas já usadas em Angola e com resultados positivos na produção de banana, ananás e outras”, frisou.

O também secretário do Presidente da República para o sector produtivo, exclusivamente ao Mercado, avança que entre as várias técnicas modernas de cultivo, em Angola já se aplica a sementeira mecânica, a produção em estufa e a hidropónia, que consiste na produção de legumes num substracto de água corrente. “Qualquer uma delas está a gerar bons resultados. As bananeiras chegam ao País em caixas de esferovite em pequenas e grandes quantidades que depois são aplicadas em viveiros, são multiplicadas e finalmente são levadas à plantação”, sublinha. Porém, Isaac dos Anjos entende que, atendendo às características fito-climáticas de Angola, os produtores agrícolas devem intensificar o recurso a fertilizantes e a correctivos do solo.

A Agtech refere que nas geografias em que a correcção de solos e o uso de fertilizantes são regra e não mais uma excepção, o fenómeno UBER também chegou à agricultura, permitindo aos agricultores alugar máquinas aos colegas fazendeiros, por horas, dias ou mesmo semanas, quando estiverem desocupadas. Esta ideia parece simples, e beneficia ambas as partes: uns porque tiram rendimento da sua máquina parada, e outros porque não precisam de fazer investimentos avultados em maquinaria no início da sua actividade agrícola. Neste quesito, o presidente do Consórcio Rede Camponesa, Gentil Viana, promove uma plataforma tecnológica denominada UÍZA que integra toda a cadeia produtiva do agrobusiness assente numa plataforma web e com aplicação para smartphones. O aplicativo cadastra produtores, correctoresa grários( intermediários), lojistas e as transportadoras de mercadorias do campo para os centros de consumo.

UÍZA integra também um serviço semelhante ao UBER, permitindo o aluguer de transportes e maquinaria para a colheita, descasque de grãos e o seu empacotamento. Segundo Gentil Viana, em entrevista à revista Agro SADC, para permitir a competitividade internacional das colheitas, torna-se cada vez mais indispensável reduzir ao mínimo as operações manuais dos produtores agrários. Assim, acções como transportar os produtos do campo para o centro de distribuição, descasque de grãos, corte ou embalagem dos produtos agrícola serão terceirizados ao micro operador com recurso ao microcrédito. O micro operador é que vai prestar um serviço que servirá de elo entre os produtos e os centros de consumo. “ O triciclo para otransporte da lavra até ao centro de distribuição custa 200 mil Kz. A descascadora de amendoim até 250 quilos por hora custa 280 mil Kz. Esta cadeia é a que denominamos como micro operador”, explica o fazendeiro.