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SFT-Angola constrói entreposto frigorífico em Malanje

A infra-estrutura vai influenciar no custo do peixe e outros pescados na região centro-leste de Angola

Luanda /
08 Ago 2022 / 15:40 H.

O grupo empresarial SFT - Angola vai construir (ainda este ano) um entreposto frigorífico na província de Malanje com capacidade para conservar 20 mil toneladas de pescados e outros produtos perecíveis, garantiu o administrador executivo, António Gama Júnior, na entrevista concedida recentemente ao Jornal Mercado.

A implementação do projecto ,disse o administrador executivo da SFT - Angola, está orçada em pelo menos 5 milhões de euros, mas o montante poderá ser reajustado, a julgar pela depreciação do Kwanza face às moedas fortes (dólar norte-americano e euro), registada nos últimos tempos.

Estrategicamente, alegou, o entreposto frigorífico da SeaFishTrade – Angola será construído num local próximo à linha-férrea, inclusive o Governo Provincial de Malanje já cedeu o terreno, pois mostrou-se satisfeito com a edificação de uma infra-estrutura daquela dimensão que também vai beneficiar as regiões do leste do País.

A opção pela proximidade à linha-férrea resulta no facto de que os produtos da SFT- Angola (filial da SeaFishTrade, empresa lituana de pesca e comércio cujos proprietários têm 25 anos de experiência na indústria pesqueira) serão escoados por comboio.

O entreposto frigorífico de Malanje, uma vez concretizado, como disse António Gama Júnior, vai influenciar no custo de aquisição de peixe e outros pescados por parte do consumidor. A tendência será de vender os produtos a preços iguais aos praticados em Luanda (maior centro de consumo do País), porque aquela empresa se compromete a suportar os custos operacionais.

A SFT- Angola (empresa criada em 2014), segundo ainda António Gama Júnior, tem uma cota de mercado de aproximadamente 25% de todo o peixe consumido no País, mas ainda assim pretende aumentar nos próximos tempos, a fim de melhor satisfazer a necessidade do consumidor. Actualmente emprega mais de 300 trabalhadores, maioritariamente nacionais.

Embora tenha suportado os efeitos causados pela Covid-19 e da crise económica, iniciada em 2014, aquela empresa ligada ao sector pesqueiro também passou por várias dificuldades; a taxa do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e a inflação, afirmou, foram os que mais impactaram na vida da SFT- Angola.

“Tivemos grandes dificuldades com o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), mas as associações empresariais junto do Executivo conseguiram criar mecanismos que permitiram a redução da taxa para 7%”, declarou o administrativo executivo da sociedade pesqueira que pretende construir o maior entreposto frigorífico no País.

Ainda a respeito das dificuldades macroeconómicas, considerou o exercício económico de 2021 mais apertado por ter registado um aumento dos custos por conta da inflação, mas está convicto de que este ano será melhor, principalmente ao nível do volume de negócio.

No presente ano económico, avançou, a empresa tem demonstrado capacidade de resiliência. “Com orgulho passámos a pertencer a lista dos grandes contribuintes. É a única firma pesqueira no meio de grandes empresas petrolíferas e das telecomunicações”.

A SFT - Angola foi das empresas nacionais com destaque na 37ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), que decorreu de 16 a 20 de Julho de 2022, sob o lema Tecnologias Disruptivas como Suporte ao Desenvolvimento da Economia”, na Zona Económica Especial Luanda - Bengo (ZEE), na qual participaram 630 expositores em representação de 15 países.

Na FILDA (considerada a maior bolsa do País) também participaram expositores que representaram as províncias de Benguela, Namibe, Huíla, Uíge, Malanje, Cuanza-Sul e Cabinda.

Ao nível externo, participaram do evento expositores de 15 países. Portugal e Espanha trouxeram cada 20, por isso foram considerados os maiores, em termos de representação estrangeira que é desde, 2016, uma iniciativa do Executivo, promovido pelo Ministério da Economia e Planeamento.

Também fizeram parte dos 15 participantes estrangeiro da maior bolsa angolana os seguintes países: a China, Alemanha, África do Sul, Namíbia, São Tomé e Príncipe, Japão, Reino Unido, República Federativa do Brasil, República Democrática do Congo, Polónia, Turquia e Estados Unidos da América.