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Pandemia agrava risco de comportamentos anti-éticos nas organizações

Organizações devem implementar sistemas de due diligence para avaliar o risco e a integridade de terceiros com quem se relacionam comercialmente

Luanda /
12 Jul 2021 / 12:09 H.

O Relatório da EY, que analisa os comportamentos de integridade e anti-corrupção no mercado angolano, conclui que, face à insegurança laboral resultante da pandemia, o risco de comportamentos anti-éticos pode agravar-se. Assim, as organizações devem reforçar os seus sistemas de gestão de compliance anti-corrupção.

O Relatório de Integridade, divulgado esta semana, tem por base um inquérito realizado pela consultora, durante o mês de Março, a 51 colaboradores de diferentes posições hierárquicas (membros dos Conselhos de Administração, gestores e colaboradores juniores). Os participantes responderam a questões sobre os desafios éticos enfrentados pelas suas organizações, no período que antecedeu a crise da COVID-19 e, também, no auge da pandemia.

De acordo com o estudo, 42% dos colaboradores juniores consideram não ser possível relatar irregularidades nas empresas sem receio de represálias. Em contrapartida, no universo de respondentes, 75% dos membros dos Conselhos de Administração entendem que as denúncias de condutas antiéticas não comportam qualquer consequência negativa.

“Para prevenir e detectar comportamentos irregulares, as organizações devem implementar mecanismos de denúncia que salvaguardem a segurança dos denunciantes e promovam uma cultura de não-retaliação” aponta a análise.

Apenas 18% dos inquiridos diz estar muito confiante na integridade de terceiros, como fornecedores e parceiros de negócios. “Neste sentido, as organizações devem implementar sistemas de due diligence para avaliar o risco e a integridade de terceiros com quem se relacionam comercialmente”.

“A aceleração digital induzida pela COVID-19, aumentou exponencialmente os ciber riscos, sendo essencial que as organizações protejam os seus dados de forma ética” aconselha a consultora.

O Forensic & Integrity Services leader da EY Portugal, Angola e Moçambique, Pedro Subtil, considera que “actualmente, em Angola, observam-se progressos que têm vindo a ser promovidos pelos esforços do sector público e do sector privado.

“Prova disso é a evolução positiva no que respeita ao combate à corrupção, onde identificamos de forma concreta uma melhoria desde o lançamento pela PGR do “Plano Estratégico de Prevenção e Combate à Corrupção”, para o período de 2018-2022” aponta. “Adicionalmente, entre 2018 e 2020, Angola tem vindo a melhorar a sua posição no Corruption Perception Index, publicado pela Transparency International. Em 2018 observou-se a posição 165, em 2019 a posição 146 e em 2020 a posição 142”.

“No entanto, ainda são observados desafios que necessitam de ser acautelados a nível público e privado, contudo, observa-se que o esforço das organizações dos vários sectores e do próprio Estado, já começaram a promover resultados positivos” acresce.

Quatro acções-chave críticas, a que as organizações devem dar prioridade nas suas agendas de integridade e anticorrupção:

1) avaliação da conduta pessoal através de mecanismos de compliance;

2) implementação de canais de whistleblowing (utilizados para reportar irregularidades de forma anónima);

3) gestão e due diligence do risco e da integridade de terceiros e, finalmente,

4) acautelar a integridade de dados.

“Observamos um quadro complexo e desafiante, agravado pela pandemia. Pressionadas para sobreviver, as organizações podem ceder à tentação de deixar para segundo plano as regras de integridade e ética. Identificados os riscos, a adopção e/ou o reforço de Programas de Compliance ABAC (Anti-Bribery AntiCorruption) é essencial para prevenir e preservar a integridade corporativa das organizações angolanas”, sublinha Pedro Subtil.