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Mercado de Jogos de sorte e azar a um passo do colapso

Alguns operadores conseguiram suportar despesas e salários até Junho do ano passado, mas desde essa altura a maioria deixou de ter capacidade para pagar salários aos cerca de três mil trabalhadores do sector.

Luanda /
17 Mai 2021 / 16:34 H.

O presidente executivo da Associação Angolana dos Operadores de Jogos de Fortuna e Azar, Jogos Socais e Jogos Remotos em Linha, Ajogos, Valódia Salvador, alertou esta semana que as empresas do sector se encontram praticamente falidas após 14 meses de inoperação.

Apela pela autorização da reabertura dos casinos e casas de jogos no País que encerraram as portas em cumprimento as orientações das medidas de segurança e combate a COVID-19. Afirma que estes estabelecimentos oferecem maior segurança em relação as salas de cinemas, restaurantes e similares, recintos de espectáculos, mas que ao contrário destes foram proibidos do exercício da actividade.

Sugere que se apliquem medidas como restrição de 60% do número de funcionários e clientes, colocação de separadores com acrílico, com objectivo de isolar clientes e funcionários, a par das demais medidas de biossegurança. Contudo, avança que tais propostas não encontraram respostas por parte das autoridades e da comissão multissetorial de combate à COVID-19.

Relançar o sector, salva empregos e vidas

O encerramento das actividades prejudicou um sector que facturava 1,8 mil milhões Kz e empregava cerca de 12 mil trabalhadores em época de crise, antes da COVID-19. Com o advento da pandemia a força de trabalho caiu 75% para três mil.

Alguns operadores conseguiram suportar os custos com salários até o primeiro semestre de 2020, desde então a maioria deixou de ter tal capacidade. Destaca que três operadores do sector revelaram não estar em condições voltarem a funcionar devido a elevada divida contraída, situação que periga os mais de 250 funcionários.

Valódia Salvador alerta para a preservação do bem vida, justificando que os trabalhadores enfrentam grandes dificuldades económicas e passam grandes problemas, gerados pela ansiedade e depressão, havendo registo de vários casos de suicídio.

“Após 14 meses de encerramento, desnecessário, os funcionários e as famílias passam fome, na sua maioria tiveram de abandonar as casas, os filhos tiveram de abandonar o sistema de ensino” descreve “isso aumenta o suicídio dos colegas da área, que por falta de esperança e incapacidade de alimentar a família, optam por esta via”.

Uma luz no fundo túnel

Apesar das dificuldades do sector como um todo, o seguimento de apostas desportivas tem crescido nos últimos anos, revela o empresário Antoine Bartoli, apontando os cerca de 6.500 trabalhadores da plataforma ElephantBet, dos quais apenas 200 são colaboradores directo.

O proprietario do grupo empresarial Mota Tavares & Barros, anseia elevar para quatro mil os postos de trabalhos directo com a expansão da actividade para as demais províncias, tão logo tenham autorização do Instituto de Supervisão de Jogos.

Recorda que o negócio começou em 2014 com cinco casas de jogos fruto de um investimento inicial de um milhão USD. Entretanto, considera que o maior investimento não foi o financeiro, mas sim o pessoal que permitiu conquistar a confiança dos apostadores.

Mota Tavares & Barros lança Elephant Bet para dinamizar mercado de apostas desportivas

As receitas mensais da empresa rondam os 300 milhões Kz, num universo de 100 mil apostas na plataforma digital e nos 1.500 pontos de venda distribuídos pelas ruas de Luanda. Antoine Bartoli considera ainda ínfimos os resultados tendo em conta os custos que a actividade acarreta nomeadamente 20% de imposto sobre a receita, IRT dos trabalhadores e Segurança Social, IP, IRT dos trabalhadores indirectos tudo isso dá cerca de 100 milhoes Kz de impostos mensais Quanto a concorrência, mostra-se expectante e confiante com o contributo salutar que a mesma trará para o sector. Todavia, adverte para o risco da concorrência desleal pratica por pequenos lojistas que instalam máquinas de jogos sem licenças e não observam regras básicas como a proibição de atendimento a menores de idade.

Sobre a Mota Tavares & Barros

A empresa surgiu em 2014 para dinamizar o sector de jogos sociais, inicialmente com a marca Ango Bet e desde 2017 com a AngoFoot 2020 foi um ano de viragem para a empresa com a aposta em uniformizar a marca e expandir para outros mercados.

Actualmente a marca está presente em Luanda com lojas físicas e diversos quiosques instalados na Marginal, Vila Alice, Cazenga, Congolenses, Viana, Cassenda, Palanca, Camama, Golf 2, Kikagil e Cacuaco.