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Lista de devedores do Banco Keve: “Não pedi empréstimo”, diz Armando Machado

DISTRAL foi constituída a 14 de Fevereiro de 2007, com um capital social de 92 mil Kz, subscrito por Armando Augusto Machado com 50%, João Carlos de Oliveira Rocha e Miguel Tomás Chipelo Canhanho Tropa, ambos com 50%.

Angola /
19 Set 2019 / 14:43 H.

O empresário Armando Machado, autor da célebre frase “se tivesse um milhão de dólares cantaria melhor que Pavarotti, garante que não deve nada ao Banco Keve.

O nome de Armando Machado aparece numa extensa lista de devedores publicada pelo referido banco no passado dia 13 do mês em curso. Armando Machado é citado na lista juntamente com os empresários Miguel Tropa e João Rocha, como tendo contraído uma dívida em nome da empresa DISTRAL.

“Esta empresa já não existe há cerca de 12 anos e agora vêm dizer que eu é que devo. Lembro-me ter dado o meu nome como sócio e mais nada. Ela actou e encerrou há cerca de 12 anos. Como é que publicam o nome de uma pessoa no jornal que não era gerente da empresa e nem nada. O estar lá para assinar não quer dizer que tenha feito usufruto da empresa. É uma empresa que era de amigos meus e eu facilitei, cedendo uma das minhas lojas, no Alvalade, só tentei ajudar”, justifica o empresário em exclusivo ao Mercado.

O Cartório Notarial do Guiché Único da Empresa atesta que a DISTRAL foi constituída a 14 de Fevereiro de 2007, com um capital social de 92 mil Kz, subscrito por Armando Augusto Machado com 50%, João Carlos de Oliveira Rocha e Miguel Tomás Chipelo Canhanho Tropa, ambos com 50%.

Depois de uma Assembleia Geral de Sócios realizada a 29 de Maio, a 2 de Julho de 2013 a estrutura acionista foi alterada, tendo o empresário Armando Machado deixado de fazer parte da estrutura acionista da DISTRAL, isto é, há seis anos, e não há 12 anos como insistiu dizer ao Mercado.

“O sócio Armando Machado cede a totalidade da sua sobredita quota no valor nominal de 60 mil Kz ao sócio Miguel Tomás Chipelo Canhanho Tropa e que deste modo o cedente se aparta definitivamente da sociedade, nada mais tendo dela a reclamar e renuncia aos poderes de gerência”, diz o certificado do Cartório Notarial do Guiché Único da Empresa emitido a 2 de Julho de 2013.

Armando Machado, que se encontra em Lisboa, disse que já contactou o actual Presidente da Associação de Bancos, Amílcar Silva, que na altura exercia a função de Presidente do Conselho de Administração do Banco Keve, que prometeu ir ver o assunto. “Ele conhece bem esta situação toda. Prometeu-me ir falar com o gerente. O que é isso meu Deus! Como é que eles têm o desplante de pôr o meu nome [no Jornal] se nem gerente eu era na empresa? Tentei ajudar um amigo, dando-lhe uma das minhas lojas, facilitando-lhe a vida. Aquilo não deu, a empresa fechou há 12 anos e não tive nada”, insiste Armando Machado.

Amílcar Silva diz que tem conhecimento do caso mas não pode interferir nos órgãos de gestão do banco, pelo que não é a pessoa indicada para tratar desta situação. “ Já não sou PCA do banco há nove anos, portanto não sou eu quem deve tratar deste assunto”, disse o Presidente da Associação Angolana de Bancos.

Armando Machado, que também já foi Presidente da Federação Angolana de Futebol e Deputado da Assembleia Nacional, diz que não se lembra de ter ido ao Banco Keve assinar como avalista de um crédito. “Então quer dizer que levaram 12 anos para ver que o Armando Machado era avalista? Francamente! Eu não fugi de Angola, vivi sempre ali, nunca ninguém me disse nada. Agora publicam o meu nome no jornal? Não pode! Agora querem humilhar a pessoa? Eu não fui lá pedir empréstimo, é a primeira vez na minha vida que isto acontece e tenho 80 anos de idade, francamente! não sei o que se passa com este banco”, desabafa o empresário.

Fonte do banco esclareceu que o critério para a escolha e publicação dos nomes dos clientes devedores foi definido pela administração e pelo gabinete de recuperação de crédito vencido. “Não estou completamente por dentro. Vou ter de ligar ao director de recuperação. Mandaram-nos a lista e pediram-nos para publicar”, disse fonte do banco.