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Kwattel solicita apoio do Executivo na divulgação do Mobile Money

Muitos comerciantes conhecem o Mobile Money, mas falta-lhes confiança e é neste sentido que precisam da intervenção do Executivo para mostrar

Luanda /
15 Set 2021 / 14:35 H.

A Kwattel, instituição financeira não bancária angolana, solicita o apoio do Executivo para a divulgação do Mobile Money (serviço financeiro oferecido aos clientes através de uma operadora móvel).

O apelo foi feito por Plácida Savo, directora de Planeamento e Marketing da instituição em declarações ao jornal Mercado.

Segundo a responsável, para que sejam dinâmicas as adesões a inclusão financeira é necessário que entidades como o Banco Nacional de Angola (BNA), Instituto Nacional das Telecomunicações (Inacom) e o Ministério do Comércio realizem campanhas de incentivo com mensagens positivas sobre a segurança, para se elevar os níveis de confiança dos potenciais

utilizadores.

Neste sentido, a Kwattel garante mostrar as qualidades, ensinar como se pode utilizar os serviços AkiPaga (plataforma de pagamentos móveis) da Kwattel, os benefícios que traz, agilidade, fLexibilidade e deveres para com os que fazem a economia informal.

Assim, diz, com os níveis de conhecimento dos gestores, as empresas irão recorrer às Fintechs (empresas facilitadoras de compra e vendas) e poderão mudar o cenário para melhor e, essa acção irá permitir que as Fintechs sintam que o cidadão e as empresas abraçam o desafio, que o medo do desconhecido ou receios não bloqueiem os principais objectivos.

Sistema integrado de Bilhética

A Kwattel, de acordo com Plácida Savo, a AkiPga pode ser parte do processo do sistema integrado de bilhética (passe único para transportes públicos) à semelhança do Zimbabué que o Mobile Money é considerado um êxito, mas segundo ela, o problema em Angola é “ser contra a modernização baseada em Fintechs e Startups a tentação das entidades públicas”.

Os ministérios querem criar plataformas para um problema e plataforma para aquele outro problema, disse, para mais tarde afirmar que é uma estratégia “inviável e destrutivo do mercado das Fintechs”.

Para os transportes e no que concerne a bilhética integrada para autocarros, comboios e táxis, a Kwattel apela para que se possa dar espaço para apresentação do potencial das plataformas das Fintechs, com intuito de pôr os seus aplicativos como complemento de venda de bilhetes gerando, assim, uma economia de escala e maior conforto para os utentes que ficam em filas intermináveis.

No que diz respeito aos supermercados, hipermercados e pequenas superfícies similares as “Mamadus”, a Kwattel defende o papel do Estado mais virado para um marketing que crie um ambiente de confiança por parte dos entes privados das diversas redes de comércio, “às vezes muito fechadas e com padrões menos modernos, avessos à inovação”.

De acordo com Plácida Savo, muitos comerciantes conhecem o Mobile Money, mas falta-lhes confiança e é neste sentido que se pede o apoio do Executivo para demonstrar que essa ferramenta veio para ficar e tem o BNA como o garante das boas práticas.

“Nós olhamos para essas estruturas comerciais como parceiras e beneficiárias de uma quota de receitas por cresceremos juntos, o que designamos de pirâmide da felicidade”.

A responsável considera ser um negócio distributivo e com a respectiva base da pirâmide muito larga porque contará com milhares de agentes, centenas de supermercados

que poderão ver os seus rendimentos duplicados.

A plataforma AkiPaga, refere, é multiusos que permite ser parte activa de qualquer acção de auxílio emergencial ou de distribuição de rendimentos quer na dimensão do Kwenda ou ainda em outras acções sociais que queiram executar através de procedimentos seguros, eficientes e instantâneos. A plataforma é também construída para satisfazer as necessidades das empresas

de entrega, em concreto as entregas de refeições ou negócios ao estilo Uber.

Com mais de 50 funcionalidades, a plataforma vai responder às dinâmicas empreendedoras da sociedade, como exemplo, a nova “app de táxis Mokota” que terá o pagamento facilitado através da AkiPaga, um processo que está na fase piloto.

Déficit de serviços de pagamento no mercado financeiro nacional

Sem avançar o estudo em concreto, Plácida Savo, diz que 60% da população está fora do sistema bancário, numa alusão ao déficit de pagamentos no mercado financeiro que na sua óptica, tem “graves consequências”.

“Olhamos durante muito tempo para as realidades europeias, quando a inclusão financeira decorria com bons impactos nas economias asiáticas e na região subsariana onde estão o Quénia, Tanzânia e numa outra região como o Gana e a Nigéria, apesar da pouca profusão dos sinais de telefonia móvel que não atingem por igual todas as geografias”, disse.

Contudo, afirma ser importante que as operadoras de telefonia móvel não introduzam disfunções e impeçam que as Fintechs sejam ágeis, inovadoras e eficientes por terem ainda um longo caminho de inovação. “Nesse quesito a Kwattel já tem novos níveis de abordagem e novas soluções. Quando surgimos a questão era, ‘Senhores não temos a lei’. Mas para que se

evitasse estrangulamentos e mais atrasos, o BNA defendeu a existência de um quadro regulador específico desse mercado onde todos os actores são obrigados pelo BNA a criarem sociedades específicas do Mobile Money”.

Análise da actual concorrência e da vindoura

Para Plácida Savo, a actual concorrência é boa para o mercado, pois há muitos anos que o País tem uma economia aberta. A responsável explica ainda que, se deve ter o entendimento de que todos os mercados de pagamentos móveis têm entidades reguladoras independentes e fortes. “No caso de Angola o destaque vai para o Inacom, uma respeitável instituição que deve ouvir as empresas de forma incansável e trate das denúncias e queixas para que exista lisura”, defendeu.

E, acrescenta, em concreto, o Inacom deve fazer com que as operadoras de telefonia móvel enquanto sociedade de telefonia com serviços universais, coloquem os referidos serviços na mesma qualidade e vantagens, pois terão as suas entidades de Mobile Money.