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Inflação ‘desestabiliza’ sector imobiliário

Apesar dos obstáculos económicos, o presidente da APIMA reconhece haver actualmente mais imóveis à disposição, comparativamente ao ano de 2008

Luanda /
06 Abr 2022 / 08:31 H.

O sector imobiliário em Angola está quase parado, face à inflação e ao crescimento populacional, segundo a constatação de Cleber Corrêa, presidente da Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA), aludida em declarações ao Mercado.

A situação actual (disse) difere de 2008, época em que a população gozava de estabilidade monetária, o câmbio estável e longe do flutuante como é hoje. “Havia mais condições financeiras para a aquisição de imóveis em qualquer parte do País”.

O também director-geral da Proimóveis considera a inflação pior ‘inimigo’ do sector imobiliário actualmente, pois há catorze anos (2008) o índice era baixo e os juros moderados. “Hoje a população tem um poder de compra de 1/5 em relação a 2008 e juros altos, face à subida generalizadas dos preços na economia”.

Apesar dos obstáculos (económicos) focados, o presidente da APIMA reconhece haver actualmente mais imóveis à disposição quando comparado ao ano de 2008 e o problema está na falta de capacidade de aquisição por parte do cidadão, tendo sugerido a adopção de medidas “para dar poder de compra à população”.

Outro problema que enfrenta o sector imobiliário no País, de acordo ainda com Cleber Corrêa, é a falta de crédito bancário e quando a banca se mostra disponível a desembolsar verbas o faz com juros altos que chegam a ser (muito) desencorajador.

Face às ‘lacunas’ apontadas, o presidente da APIMA defende a necessidade de empoderar financeiramente a população (visto a maioria ser de baixa renda) para que o sector imobiliário em Angola tenha sucesso e atinja níveis sustentáveis.

Quanto ao custo dos imóveis, assegura que os preços no mercado variam em função da zona. Nas regiões mais simples, afirmou ao Mercado, os preços chegam a 500 USD por metro quadrado, enquanto nas mais valorizadas 5 000 USD por metro quadrado.

Cleber Corrêa também falou das dificuldades para desenvolver o negócio imobiliário no País, tendo afirmado que os obstáculos iniciam logo na aquisição do terreno; aliás, os infraestruturados (vendidos pelo Estado) estão fora do alcance da classe média.

Outra barreira, apontou o empresário, é a demora para a legalização do prédio rústico e a emissão da licença de construção. “Durante este período não se pode mexer no terreno, mas é preciso manter a ‘posse’, pois as invasões continuam em Luanda e outras províncias. Por fim o custo do dinheiro (taxa de juro), financiamento é desencorajador”.

Relativamente à aquisição dos materiais de construção, o líder da APIMA disse que o mercado nacional está em altura de suportar a demanda (em quantidade e qualidade). “Estamos bem atendidos na área do cimento, alumínio, cabos eléctricos, telhas, vergalhões de aço, forros de gesso e pvc”.

A problemática do sector imobiliário no País, informou Cleber Corrêa, será debatido em fórum internacional, a realizar-se em Luanda, nos dias 21 e 22 de Abril do corrente ano.

No evento, aludiu, serão apresentadas várias propostas para alavancar o sector; inclusive algumas que estão em negociações com o Executivo.

“Vamos dar oportunidade de aproximação entre as empresas que actuam no sector, de formas a dialogar e aumentar as trocas comerciais entre si. E por ser uma edição lusófona, vamos também partilhar experiências com os convidados dos demais países de língua portuguesa”, disse o director-geral da Proimóveis.

Organizado pela Agência de Comunicação Corporativa angolana (Linear Comunicação), o evento vai contar com a parceria da APIMA e da Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX) também vai participar do evento, na condição de parceiro institucional.