Importação de ovos reservada a quem também produz

Ministério da Agricultura não atribui licenças de importação há mais de um ano a importadores que não produzem localmente. As importações só ocorrem em fases de maior procura, como na época festiva que se avizinha.

Angola /
07 Dez 2018 / 12:16 H.

Há um ano que o Ministério da Agricultura e Florestas não emite licenças para importação de ovos, porém não assume que não se esteja a importar ovos, segundo uma fonte da instituição sob anonimato. “ Quanto a importação de ovos, não houve autorização de importações durante o ano de 2018, salvo pequenas quantidades de ovo em pó para algumas pastelarias, sob estrita autorização de Sua Excelência o Ministro da Agricultura e Florestas, não havendo, no entanto, restrições para a importação de ovos férteis para incubação, imprescindíveis para a reposição nos aviários em produção”, explica a fonte.

Avança , no entanto, que o País produziu 961 milhões de ovos em 2017 e este ano, até Novembro, atingiu uma produção de 1.119 milhões de ovos, um aumento de 16,4% face ao ano passado.

O Ministério da Agricultura estima um crescimento na produção nacional de ovos na ordem dos 30% nos próximos quatro anos, altura em que estima que a produção nacional atinja os 1.443 milhões ovos até 2022.

Ainda assim, a fonte não assegura que o País seja auto-suficiente nos próximos quatro anos “porque a auto-suficiência não vai depender da evolução do número de habitantes e da capacidade de os produtores realmente atingirem a meta prevista”, argumenta.

ANAVI mais optimista

A Associação Nacional dos Avicultores de Angola (ANAVI) mostra-se optimista sobre a capacidade de produção de ovos e carne de aves instalada. Estima que existam no País 118 indústrias de reprodução e embalagem de ovos em todo o território nacional que produzem, em média, 70 milhões de ovos por mês, correspondo a uma média de 840 milhões de ovos por ano.

Apesar do desencontro dos dados da ANAVI( 850 milhões de ovos) e do Ministério da Agricultura e Florestas (1. 119 milhões de ovos), o presidente da ANAVI , Rui Santos, aponta que os ovos, assim como a fuba de milho, não constam da lista de produtos que podem ser importados. “Não se importam ovos. É verdade que o mercado ainda está a pedir mais, estamos atentos e a nossa produção apresenta margens para crescimento”, garante.

O líder associativo considera difícil determinar o gap entre a procura e a oferta de ovos, mas assegura que quanto maior for a procura por ovos, os produtores estarão preparados para produzir, sendo que quando satisfazerem o consumo interno vão aposta nas exportações.

Rui Santos revela que o aumento da produção dependente, sobretudo, da estabilidade da oferta de matéria-prima no mercado nacional, principalmente da ração, quer seja a importada,quer seja nacional. “Temos que estabilizar a disponibilidade de matéria-prima, só assim poderemos sustentar a continuidade da produção. Há novas unidades de raiz em crescimento, temos capacidade instalada paralisada devido a falta de factores de produção. Logo que haja matéria-prima e essas unidades arrancarem , haverá grande crescimento na oferta de ovos e carne de aves no mercado”, assegura Rui Santos.