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Importação custa 60 milhões USD por ano, exportações rendem meio milhão

Estudo financiado pela União Europeia evidencia desequilíbrio entre exportações e importações de frutas e

18 Nov 2019 / 15:36 H.

Angola gasta perto de 60 milhões USD na importação de frutas diversas, apesar do seu potencial de produção, e exporta menos de 500 mil USD indica um estudo do Projecto de Apoio ao Comércio (ACOM), financiado pela União Europeia.

De acordo com o estudo, intitulado Estudo de mercado sobre as frutas tropicais em Angola e o seu potencial

de exportação e conduzido por Manuel Alberto, consultor permanente do Projecto ACOM, em 2017 o País

gastou cerca de 58 milhões USD na importação de frutas, um aumento de 137% face aos 24,7 milhões USD despendidos no ano anterior.

O documento, destinado à AIPEX, avança que, em 2017, a exportação de frutas rendeu cerca de 426 mil USD, um valor residual face aos gastos com importações, mas ainda assim quase cinco vezes superior ao de 2016, quando e venda destes produtos ao exterior rendeu apenas 90,6 mil USD.

O estudo estima a produção nacional de frutas em 2017 em aproximadamente cinco milhões de toneladas, sendo que o volume exportado nesse ano foi de cerca de 483 toneladas, menos de 10% do total. Segundo a campanha agrícola 2016/2017, Angola tinha uma superfície cultivada de fruticultura de quase 247 mil hectares nesse ano.

Banana quase monopoliza

A banana dominou as exportações em 2017, com 458 toneladas (face a apenas 11 toneladas em 2016). Seguem-se o coco, castanha do Brasil e castanha de caju, frescos ou secos (mesmo sem casca ou pelados), com 24 toneladas, a os citrinos, com apenas uma tonelada.

Numa análise por geografias, em 2017 Portugal manteve-se como o principal comprador de frutas angoImportação custa 60 milhões USD por ano, exportações rendem meio milhão, com um total de 292 mil USD,face a apenas oito mil USD em 2016. O

segundo maior importador em 2017 foi a Espanha (27 mil USD), seguindose, no Top 5, o Canadá (2.000 USD),

os Países Baixos (mesmo rendimento) e, por fim, a Itália (1.000 USD).

Os maiores fornecedores de frutas para Angola são a África do Sul (61% do total), seguida de Portugal (29%) e Israel (3%). A Argentina (2%) posiciona-se em quarto lugar, e Espanha, Uruguai, Etiópia, China e França têm uma participação de 1% cada.

Quando aos produtos importados, o Top 5 é liderado pelas maçãs, peras e marmelos (cerca de 11,2 mil toneladas em 2017), seguindo-se os citrinos, frescos ou secos (5,1 mil toneladas), cocos, castanha do Brasil e castanha de caju, frescos ou secos, mesmo sem casca ou pelados (1,47 mil toneladas), uvas frescas ou secas (1,41 mil toneladas), e os morangos frescos, framboesas, amoras, de volta, groselhas brancas ou vermelhas e groselhas, entre outros frutos silvestres (1,27 mil toneladas).

O documento refere que “ao nível de políticas não há informações da existência de um programa dirigido de fomento da fruticultura, existindo apenas alguns programaspiloto de pequena dimensão

geograficamente dispersos”.

Pouca industrialização

“A maior parte da produção de fruticultura é praticada por agricultores familiares sem um acompanhamento técnico necessário para assegurar a qualidade dos produtos dentro dos padrões internacionais”, explica o estudo, que adianta que “a agricultura empresarial pratica multicultura e há muito poucas empresas agrícolas que se dedicam exclusivamente à exploração de fruticultura”.

Por outro lado, avança o documento, há “poucas empresas exportadoras e a única que o faz com alguma regularidade, apesar das dificuldades, é a Novagrolider”.

“Tendo em conta o potencial e o valor comercial que a fileira da fruticultura apresenta, perspectiva-se um aumento da produção nos próximos anos, o que poderá ter impacto no aumento do volume de exportações”, lê-se no estudo, a que o Mercado teve acesso.

Consórcios podem ajudar a vender mais

Quanto a caminhos para o futuro, o estudo sugere que “um mecanismo importante para a operacionalização de uma estratégia de exportação é a criação de consórcios de exportação”. “A iniciativa da Rede Camponesa, liderada pelo empresário Gentil Viana, é um grande instrumento para a dinamização do sector exportador.

Criou a Air Cargo, uma infra-estrutura logística no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro para o escoamento de produtos agrícolas via aérea para os diversos países da Europa”, lembra o estudo, que refere que “o consórcio tem estado a encetar contactos para a celebração de acordos com diversas companhias aéreas que operam em Angola e, em Maio de 2017, organizou a presença de Angola e da [então] APIEX na Feira MACFRUIT, Itália”.

“Uma parceria estratégica entre a AIPEX e o consórcio Rede Camponesa seria uma iniciativa assertiva para a criação de sinergias através de uma convergência harmoniosa de interesses”, defende o autor do estudo, que avança que “os camponeses angolanos em geral e os operadores do agronegócio em particular têm a oportunidade de encontrar na produção de frutas uma importante alternativa para a obtenção de receitas cambiais”.

A manga e o abacate têm “elevado valor comercial e uma grande procura ao nível do comércio internacional”, recorda o documento, destacando que a União Europeia e os EUA enquanto mercados de destinos para a exportação de frutas “são muito acessíveis e, em muitos casos, sem aplicação de direitos aduaneiros por causa dos Sistemas Gerais de Preferências, que são geralmente atribuidos aos países em desenvolvimento pelos países desenvolvido (o que ainda não acontece com a China e a India)”.

Quando ao diagnóstico, o estudo afirma que “os principais problemas que os produtores de frutas em Angola enfrentam – específicamente os produtores orientados para os mercados externos - têm a ver com com quantidade, qualidade e a regularidade”.

Quanto ao que designa por “factores objectivos que limitam a exportação de frutas”, o documento enumera problemas como o facto de Angola produzir variedades inadequadas ao mercado externo, embalagens inadequadas, falta de cultura empresarial em relação à gestão da qualidade, e marketing insuficiente e pouco eficaz.