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Grupo WM com um volume de negócio de 10 mil milhões Kz

“Temos expetativas no reequilíbrio do câmbio e a sua estabilização nos próximos cinco anos”

Luanda /
02 Set 2021 / 07:30 H.

O grupo WM obteve um volume de negócio de 10 mil milhões Kz em 2020, revelou ao Mercado o director-geral do grupo, Filipe Pescada.

O grupo actua nos mais variados sectores da actividade económica, desde a construção civil, agricultura e paisagismo. O mesmo estáem três províncias do País, com destaque para Luanda, Bengo e Cuanza Norte.

A construção civil, conta o responsável é a principal financiadora de toda diversificação no grupo, através da sua empresa “mãe”, a WM Construções, há 29 anos no mercado nacional.

Depois da construtora WM Construções, a Base de Betão é uma das empresas de referência do grupo WM.

Segundo Filipe, a desvalorização do Kwanza provocou um impacto negativo no património e nos investimentos que o grupo realizou nos últimos anos. “Temos expetativas no reequilíbrio do câmbio e a sua estabilização nos próximos cinco anos, sabendo de antemão que não dependerá apenas do Executivo, mas sobretudo do preço do petróleo e da evolução da económica internacional”, disse.

O gestor considera ainda que, a situação câmbial transversal, é algo natural face à sobrevalorização que a moeda nacional tem sobre as divisas.

Quanto a carga fiscal, não é encarada como peso ou problema, mas apelam as autoridades maior controlo e fiscalização junto das diversas empresas que continuam a coexistir no mercados e no cumprimento das suas obrigações fiscais.

“Podemos verificar isso no dia-a-dia, seja na relação comercial ou constatação de alguns preços praticados e que reflectem a não fiscalização dos mesmos”, frisou.

De acordo ainda com Filipe Pescada, o sector com maiores dificuldades tem sido também o da construção civil, pelas mudanças do novo paradigma social e económico.

O responsável aclara que recorreram ao programa de apoio a produção (PRODESI) em 2020 através de quatro empresas do grupo WM, e até a data presente não obtiveram nenhum tipo de respostas sobre a solicitação. “O que poderá significar que algo não funciona como deveria, “disse.

Novos Investimentos

No sector agrícola foi feito um investimento de cerca de 15 milhões USD durante os últimos três anos, desde as fazendas de Caxito, na província do Bengo e Lucala, no Cuanza Norte.

Na província do Cuanza Norte, o grupo detém uma fábrica de Ração Animal, “Rações KN”, com capacidade produtiva instalada de 20 toneladas por hora, tendo numa fase inicial o objectivo de produção até 1.760 toneladas mensais de ração bovina, suína, frango de corte e poedeiras.

“Numa segunda fase, e a médio prazo, se a economia permitir e beneficiar do tão desejado desenvolvimento da pecuária intensiva, a fábrica poderá funcionar no máximo da sua capacidade, 3.500 toneladas por mês”.

Para aquele responsável, a agricultura é um processo a médio e longo prazo que engloba várias culturas, e “cada cultura é uma ciência diferente”, assim como cada província com solos e recursos hídricos diferenciados, sendo um processo complexo, longo e que requer muita formação.

“Ao longo dos anos tivemos de nos adaptar e procurar a auto-suficiência em várias áreas, tendo como pilar a capacidade empreendedora e resiliência do seu fundador, Rogério Leonardo, razão pela qual temos vindo a diversificar como facilmente se pode constatar”, afirmou.

O grupo e as áreas de acção

Na província de Luanda, o grupo conta com obras de construção civil e construções metálicas, assim como as indústrias de betão pronto, fabrico de condutas de AVAC em chapa, carpintaria e a transformação de betume e derivados asfálticos.

Já no Bengo, as fazendas em Caxito, nomeadamente a “turiagro e a fruticultura”, o grupo está engajado na produção de banana, mamão, maracujá e goiaba, sendo de realçar a produção diária de cerca de 30 toneladas de fruta, sendo a banana a que representa 70% do total produzido, escoada para o mercado nacional. A “sagribengo” de floricultura e plantas ornamentais são também desafios do grupo.

Para o Cuanza Norte, agricultura intensiva em pivot de cereais, como o milho, a soja e a pecuária com bovinos e suínos e a recente inauguração de fábrica ração animal reforçam aquele grupo empresarial.

O grupo conta com 1.024 funcionários dos quais 30% são mulheres e 70% homens.