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Food Care aposta na exportação de produtos para África e Europa

Conquistar o mercado nacional nos próximos dois anos e internacionalizar o negócio, através da exportação dos produtos é um dos focos da Food Care

Luanda /
21 Dez 2021 / 09:15 H.

A empresa nacional Food Care, especializada em processar, transformar e embalar produtos “típicos angolanos de gastronomia ” aposta na exportação a partir do primeiro semestre de 2022.

A garantia é da presidente da empresa, Marlene José, que diz a Food Care é recente no mercado nacional e que tem uma estratégia bem montada para tornar os seus produtos conhecidos.

No seu portefólio, a empresa já processa e transforma as folhas de mandioca (kizaca), vários tipos de sementes, como por exemplo de abobora (muteta), muamba (jinguba moída que ganha a designação de muamba) e o “tortulho” (cogumelo).

Para o ano de 2022 deverão juntar-se outros produtos, com destaque para o famoso “catato” (um tipo de vermes comestíveis), o “bagre fumado” (um tipo de peixe de água doce que sofre um processo de defumação), a jinguba crua, o cogumelo fresco, a “fumbua” (folhas que abundam geralmente no norte do País, nas províncias do Uíge, Zaire e Cabinda).

Colocar a gastronomia angolana no mapa do mundo

Este é o objectivo da Food Care - internacionalizar os produtos para a elevação da gastronomia angolana aos “mais altos níveis da sociedade internacional”.

Para tal, o investimento tem sido constante, sendo que para o início de actividade a empresa investiu 118 milhões Kz.

E é nesta perspectiva que a Food Care no âmbito da Lei do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) obteve um suporte financeiro da banca de 386 milhões kz, 38% dos quais serviram para aquisição de máquinas, carros, o resto dos valores serão usados para outros fins empresariais.

O material obtido para processar e transformar os produtos são provenientes da Europa, nomeadamente Itália, França, Holanda e Portugal.

Satisfeita, Marlene José diz que a Lei do PRODESI ajudou de certa forma a empresa na medida em que o ano passado recebeu à visita da Comissão Multissectorial, incluindo de dois secretários de Estado o do Comercio e da Economia, que se tornou fundamental para obtenção do referido suporte financeiro à banca.

Cinco anos decisivos

Em termos de perspectivas os próximos cinco anos podem ser decisivos, pois a empresa pretende inserir outras linhas na produção, como papas infantis e um outro segmento para merenda escolar.

Principais desafios

A Food Care tem como um dos principais propósitos a exportação de produtos para alguns países africanos, com destaque para a República do Congo, Namíbia, Quénia e para a Europa.

A empresa já tem o pedido para Europa mas à COVID-19 tem sido um dos obstáculos. “Temos negociações com o Congo, Namíbia e Quénia, até o primeiro trimestre de 2022 vamos começar a exportar”, anunciou a presidente da empresa.

A Food Care tem actualmente uma capacidade instalada de oito toneladas por mês, que passará para 32 toneladas a partir de Fevereiro de 2022, fruto da aquisição das maquinas em Portugal que devem chegar ao País os próximos dias para dar suporte a empresa.

A Food Care tem igualmente um volume de negócio de 6 milhões Kz mensais, e para este ano prevê cerca de 75 milhões Kz. “A ideia é aumentar o volume de negócio para dar suporte a empresa”, adiantou.

Para além da capital do País, a empresa está também presente no Lubango, na província da Huíla, contando com uma forte rede de distribuição, preferencialmente supermercados.

A presidente da empresa referiu-se também as dificuldades na obtenção da matéria-prima, sobretudo, a “kizaca” que segundo ela, é adquirida nos mercados informais, um factor que faz encarecer o produto. “Tem de se ultrapassar a barreira dos agricultores dependerem das chuvas, quando ultrapassarmos isso vamos ter bens alimentares produzidos em Angola a um preço aceitável”, perspectivou numa alusão de que a Food Care vai a todas às províncias onde há matéria-prima para processar.