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Finlândia procura oportunidades nas minas e telecomunicações

Estão igualmente previstos investimentos e cooperação em áreas como educação e agricultura.

Luanda /
15 Mar 2019 / 17:44 H.

O Banco Angolano de Investimentos (BAI) tem sido o menos generoso na distribuição de dividendos aos accionistas nos últimos anos, de acordo com uma análise do Mercado aos relatórios e contas dos principais bancos comerciais a operar em Angola, entre 2013 e 2017.

O banco, actualmente liderado por Luís Lélis, tem sido o mais prudente - sendo, assim, mais resiliente a situações de crise - no período, durante o qual alocou cerca de 70% dos lucros à constituição de reservas livres, que devem ser utilizadas em situações de prejuízos acumulados.

Segundo o Relatório e Contas de 2013, o conselho de administração propôs a aplicação dos resultados líquidos do ano anterior - cerca de 12,1 mil milhões de Kz - da seguinte forma (ver infografia nas páginas seguintes): reservas legais, 5,5% (664,5 milhões Kz), reservas livres, 69,5% (8,3 mil milhões Kz), e dividendos, 25% (três mil milhões Kz).

Reunidos em assembleia geral (AG), contudo, os accionistas decidiram-se por ficar com uma ‘fatia’ um pouco maior dos lucros, mais de 3,7 mil milhões Kz, isto é, 23% acima do valor proposto pela gestão.

Em 2014, a proposta da gestão foi um pouco mais favorável aos accionistas, com a administração a propor transferir para dividendos 30% dos resultados líquidos de 2013 (que haviam sido de 12,8 mil milhões Kz), ou seja, 3,8 mil milhões Kz. Mas, desta vez, os donos do banco pediram menos dinheiro: contas feitas, os dividendos pagos ficaram 707,3 milhões Kz abaixo do proposto pela administração.

Finlândia, que deverá acontecer em Luanda, no segundo semestre do ano, com a participação de empresas daquele, deverá centrar-se nos domínios das telecomunicações, minério e indústria florestal, revelou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, Timo Soini.

Falando ao Mercado, esta semana, à margem de um concerto em sua homenagem, oferecido pelo consulado honorário da Finlândia em Angola, no final de uma visita de três dias a Luanda, Timo Soini referiu que estão igualmente previstos investimentos e cooperação em áreas como educação e agricultura.

Como refere, estes serão, de resto, os temas fundamentais da rodada de negócios entre os empresários angolanos e finlandeses, que têm mostrado interesse no desenvolvimento da economia do País, mediante investimentos e criação de empregos.

“Um dos objectivos da visita da classe empresarial da Finlândia é a promoção dos investimentos privados. Ou seja, das empresas e dos negócios que podem ser alavancados entre os dois países a curto e médio prazo”, disse o dirigente finlandês, que cita o sistema de educação da Finlândia, considerado como um dos melhore do mundo, como a chave do sucesso da economia do País.

“A ideia é que as empresas de ambos os países possam encontrar-se e estabelecer parcerias, a fim de fazer negócios rentáveis e possam trazer valor acrescentado para as duas economias”, reforça.

Questionado sobre o estado das relações económicas entre os dois países, Timo Soini sublinhou estarem melhor que nunca, porque, avança, como resultado da sua visita a Luanda foram assinados vários acordos e um memorando de entendimento.

“A minha visita a Angola visa, sobretudo, reforçar as relações bilaterais entre ambos os países. O encontro mantido com o Presidente da República, João Lourenço, foi bastante positivo para o alcance das ambições dos dois países”, afirma. Timo Soini destacou igualmente os encontros que manteve com os ministros do Comércio, Jofre Van-Dúnem Júnior, da Educação,

Maria Cândida Teixeira e das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, como forma estreitar os laços de cooperação.

Apontou ter verificado um grande interesse de Angola em inteirar-se mais sobre o modelo económico vigente na Finlândia e acredita que essa a sua visita tende a relançar as bases para uma cooperação mais sólida, com o incremento das relações comerciais.

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