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Empresários nacionais apreensivos com a actividade económica pós-COVID 19

27 Mar 2020 / 14:55 H.

“Mesmo com essas restrições necessárias, o Estado tem de continuar a ter alguma capacidade de garantir a dieta alimentar dos angolanos”.

O Mercado fez um inquérito às empresas da nossa praça para apurar os resultados das medidas a serem utilizadas, de modo a evitar a propagação da pandemia COVID-19 no território nacional, assim como debruçar sobre as estratégias para mitigar os resultados negativos que esta trará ao funcionamento das suas actividades futuras.

A maior parte dos empresários mostram-se apreensivos e preocupados, uns não muito pela doença em si, mas pela fácil disseminação, pondo como refém os recursos humanos e consequentemente maiores dificuldades na aquisição de matérias-primas, tal como refere o administrador da Mestre-Akino, fábrica de processamento de enchidos e transformação de carnes, Luís Nicácio.

“Por ser uma pandemia, estamos diante de uma situação que exige medidas extraordinárias no nosso modo de viver e aí congratulamo-nos com a medida do Governo de decretar Estado de Emergência no nosso País”, diz o empresário opinando que mesmo com essas restrições necessárias, o Estado tem de continuar a ter alguma capacidade de garantir a dieta alimentar dos angolanos.

“É aí que nós os industriais, falo da industria transformadora de alimentos e outras, estejamos a funcionar com todas as medidas para salvaguardar a vida dos trabalhadores, com o objectivo de se contribuir, nem que seja com pouco neste momento difícil, para a alimentação e não só, dos Angolanos”, opinou.

Por sua vez o presidente do Conselho de Admistração da SISTEC, António Candeias, realça que a empresa tem seguido atentamente desde o início o evoluir do quadro desta pandemia global, considerando este ser um assunto de máxima responsabilidade que poderá comprometer o bem-estar de todos os intervenientes da instituição se for levada de forma negligente.

Entende que adaptar-se a esta realidade implicará necessariamente profundas alterações ao ritmo de trabalho.

Questionado sobre as medidas que a empresa já tomou, António Candeia informou que a mais impactante foi a redução do número de colaboradores em permanência na empresa, que actualmente conta com cerca de 50% da força de trabalho em casa, alguns trabalhando por turnos, outros remotamente.

“Isto levou-nos a um reajuste dos horários de funcionamento, com redução do tempo de atendimento devido à redução de pessoal, com excepção feita às lojas dos centros comerciais, que estão sujeitas a outro tipo de horários. Foram também tomadas acções de comunicação interna para divulgação e prevenção, seguindo as instruções do ministério da Saúde. Finalmente, criamos um plano de contingência no qual alocamos uma sala dedicada com material de suporte para acudir aos casos mais suspeitos”, avançou as medidas acauteladas.

O CEO da Pureglass, fábrica de transformação e comercialização de vidros, Carlos Dionísio, diz que já previa que mais tarde ou mais cedo a situação poderia chegar em Angola, não obstante ter tomado um plano de contingência que culminou, como em outras, em campanha de sensibilização que evite a contaminação e propagação do vírus actualmente estudado.

“Pusemos os recursos humanos a trabalhar na campanha de sensibilização para a higiene, não só a nível do contacto, mas também do afastamento social das relações humanas. Estamos a lidar com algumas incertezas, porque muitas vezes os dados marcam três pessoas, mas não sabemos se podem estar ou não mais pessoas infectadas, portanto toda a gente está a viver uma situação muito complicada”, explicou o responsável que apela às pessoas seguirem as instruções previamente estabelecidas pelo Governo.

Diferente de Marco Fortes, consultor e acessor executivo da empresa SGAR (detentora do projecto Cartão Jovem Angola), avança que os desafios tem sido enormes que, para além de terem criado pequenas equipas multi sectoriais, a empresa procura sensibilizar os vendedores a serem mais agressivos no mercado digital e aumentar as campanhas de publicidade digital, através da sensibilização dos potenciais clientes sobre a prevenção contra a pandemia como as farmácias e clínicas.

Incógnitas do pós-COVID 19

Os empresários não conseguem prever os movimentos das suas actividades tão logo que termine a pandemia, pois, tal como muitos defendem, são acontecimentos que transmitem, a posterior, um grau de incerteza muito elevado.

Assim como Carlos Dionísio que diz ser um problema mundial, ainda mais engajada em Angola com uma crise muito grande, para ele ninguém sabe o que vai acontecer. “Não há ainda estratégia possível, ainda mais para as empresas sem gorduras financeiras, vai ser muito complicado, portanto, prevejo dias muito difíceis para a indústria, vamos esperar, só o tempo dirá”, sublinhou.

No seu turno, questionado quanto as medidas para garantir a salubridade do negócio, caso se verifique um cenário mais agressivo que o actual, António Candeias diz que ninguém sabe ainda ao certo, mas entende, caso seja necessário, equacionar cenários que seja obviamente o pior de todos, o fecho das actividades por tempo indeterminado.

“Contudo, estamos a fazer todos os esforços para garantir o bem-estar e saúde dos nossos trabalhadores, actuando com responsabilidade, tendo a consciência de que a saúde é um bem inalienável”.

Já o Luís Nicácio espera que a pandemia ajude os responsáveis a apostarem na produção nacional, assim como pensar na importância da Agricultura, do Agronegócio e da Indústria Transformadora em Angola, para que se possa, nem que seja a 50%, garantir a subsistência alimentar da população. “Porque se assim não for e se houver por exemplo restrições na navegação aérea e marítima dos países exportadores, vamos nos encontrar numa situação de isolamento numa ilha, no que da alimentação diz respeito”, opinou.