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Empresários identificaram 88 problemas na relação com o Governo

Excesso de burocracia continua a minar relação entre o Governo e a classe empresarial e está no topo das preocupações.

Angola /
31 Jul 2019 / 11:14 H.

As associações empresariais reuniram-se ontem, no Centro de Convenções de Talatona, com o Presidente da República, João Lourenço, para manifestarem as suas principais preocupações. Os empresários identificaram 88 constrangimentos da relação entre o Executivo e a classe empresarial, sendo que a burocracia continua a liderar a lista “dos males maiores”.

“O tema mais abordado, por todas as associações, é o excesso de burocracia. Todo os sectores sentem que o aparelho do Estado continua muito pesado e contra as empresas. Sente-se mais isto na obtenção de registos de propriedade e de licenças. É gigantesco o esforço para se ter um registo de terra”, disse o coordenador do grupo técnico das associações empresariais, Carlos Cunha.

O encontro de ontem entre o Titular do Poder Executivo e as associações empresariais surge na sequência dos esforços de melhorar a relação entre quem governa e quem produz.

No dia 1 de Novembro de 2018, um grupo de quatro associações, nomeadamente ECODIMA, AHARA, APA e ACETRO juntaram-se e pediram uma audiência ao chefe de Estado. Na reunião, que contou a participação de vários membros do Governo, João Lourenço perguntou se os empresários tinham tempo e disponibilidade para darem sequência ao trabalho com o Ministro de Estado da Economia, Manuel Nunes Júnior, e com o ex-Ministro da Economia, Pedro Luís da Fonseca.

Foram estabelecidos calendários com 11 órgãos do Executivo e com o Ministro de Estado da Economia que resultaram num total de 14 reuniões sequenciais para discutir os 88 constrangimentos.

Das 14 reuniões, resultou a conclusão de sentar a mesma mesa com o Presidente da República para apresentar os problemas. A ideia inicial é que as reuniões fossem feitas com um grupo mais pequeno sem cansar muito o Presidente e que as conversas fluíssem mais. Alguns meses mais tarde, por orientação do próprio João Lourenço, o Ministro de Estado da Economia, Manuel Nunes Júnior, informou aos empresários que o PR achava melhor alargar um pouco mais o grupo.

Porém, deixou de ser quatro associações e passou para um grupo de oito associações. Foram incluídas a AIA, CEEIA - Comunidade de Empresas Exportadoras, o sector das pescas e a Federação das Mulheres Empresárias. Na altura que se constituiu o grupo das oito associações, o Ministro de Estado da Economia disse que já era um número considerável e convinha que alguém fosse o interlocutor do grupo. Foi indicado o empresário Carlos Cunha, que também é membro do Conselho da República, como coordenador do grupo técnico empresarial.

Carlos Cunha disse ontem, em entrevista à TPA, que o grupo técnico empresarial teve a total liberdade organizar o evento de ontem e escolher os temas a serem discutidos.

“Todos os empresários saíram felizes do evento. As 9 intervenções foram válidas. Uns têm mais jeito de apresentar, outros menos jeito, mas o conteúdo expresso nos documentos é muito válido”, disse o empresário sem, no entanto, avançar a lista dos 88 problemas da classe empresarial.