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Ecoindustry aposta na produção local para substituição das importações

Por enquanto tem a actividade confinada na capital do País, mas a estratégia é expandir-se para todo o território nacional, sem colocar de parte à exportação.

Luanda /
09 Nov 2021 / 10:18 H.

Com a implantação do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), a unidade industrial Ecoindustry Juntex tenciona aumentar a produção, para incentivar o consumo dos seus materiais “made in Angola”.

“Queremos com isto dar ao tecido industrial angolano a possibilidade de se abastecer localmente com produtos de qualidade fabricados em Angola, por angolanos, anunciou o Director-geral da empresa, Paulo Santos. “Estamos preparados para esse desafio”, garantiu.

A Ecoindustry Juntex é a mais recente aposta em Angola do grupo empresarial ECOFIRMA com 25 anos no mercado mundial. É uma indústria produtora de materiais para construção civil e tratamento de água, com destaque para argamassas de impermeabilização; de reparação; para fabrico de cimento-cola; de rebocos; para areias de quartzo utilizadas em filtros de água e para indústria de Oil e Gás.

Com capacidade de produção de 300 toneladas por dia, para além de parcerias de fabricação local, a Ecoindustry conta com a marca europeia Drizorco e da angolana Jaguar.

Um dos activos do Estado privatizado

A industrial Juntex, agora denominada Ecoindustry foi um dos primeiros activos do Estado privatizado em 2019.

“Adquirimos a unidade industrial Juntex, que nunca tinha funcionado em Setembro de 2019, naquela que foi a primeira fase do processo de privatização dos activos do estado. Desde logo tínhamos a colossal tarefa de fazer toda a manutenção necessária, aquisição de peças em falta, ensaios e testes”, adiantou.

Com o foco na produção nacional, a empresa já exporta também para Costa do Marfim e em carteira estão negociações com a República Democrática do Congo (RDC).

“Somos uma empresa certificada pela norma qualidade ISO 9001:2015 desde meados de 2021. Este facto comprova o compromisso da administração com os preceitos da qualidade que nos torna uma empresa diferenciada pela qualidade em Angola”, afirmou.

Desafios e obstáculos

O gestor adiantou que, dada a elevada capacidade de produção e grande necessidade de matérias-primas, os principais desafios que a empresa enfrenta estão ligados ao estabelecimento de um “supply chain” (Cadeia Logística) com os diversos fornecedores que permita satisfazer continuamente a demanda do mercado.

Na óptica daquele responsável, a questão cambial é mais um desafio do que um obstáculo. E defende que é sempre um factor que importa ter em conta nas avalizações que fazem para os negócios desenvolvidos, por entender que faz parte do contexto angolano e cabe ao tecido empresarial adaptar-se a essa realidade.

Considera que estão preparados para este desafio, por terem já traçadas medidas de contingência e controlo que permitem não só reagir atempadamente como antecipar os acontecimentos.

ʻʻ95% da matéria-prima é local criteriosamente seleccionada, e apenas 5% é importado de países europeus, como Espanha, Alemanha e Portugal. Todos os fornecedores estrangeiros são certificadosʼ”.

Obrigações fiscais e contributo da empresa à sociedade

Para o empresário, o Estado faz o seu papel ao cobrar os impostos, as empresas têm que saber lidar com esse contexto, pois, defende que cabe a todos trabalharem para gerar valor e contribuir para a economia nacional.

Reconhece por outro lado, que os processos ainda são muito burocráticos, mas, ao mesmo tempo, vê com bons olhos o esforço das entidades estatais em encontrar formais mais eficazes para gerir o interesse público.

Referindo-se às leis do PRODESI diz tratar-se de um catalisador do projecto Ecoindustry Juntex, que no seu entender, garante estar em sintonia com os objectivos do Governo.

Actualmente, o Executivo limita a importação de argamassas, cimentos-cola e produtos cimentícios caso exista capacidade de produzir localmente.

ʻʻA nossa actividade vai permitir substituir as importações por produção nacional. O facto de produzir em Angola permite aos nossos clientes garantirem quota de mercado imune a restrições em termos de importaçãoʼʼ.

A empresa emprega 50 colaboradores, dos quais 45 angolanos e 5 consultores estrangeiros. ʻʻO nosso objectivo é que todos os nossos colaboradores possam crescer connosco, valorizar-se e tornarem-se profissionais de excelência”.