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Desemprego inspira investimento em empresa de gestão de resíduos electrónicos

A ideia começa em 2014 com a crise financeira. Afectado por um despedimento colectivo na empresa em que trabalhava, Décio Silva, cria com os recursos financeiros da indeminização uma pequena loja de reparação de computadores, que se transformou mais tarde na Narisrec - empresa de gestão de resíduos electrónicos de que é hoje CEO.

Luanda /
21 Jun 2022 / 08:35 H.

A Narisrec, empresa de gestão de resíduos electrónicos, investiu 30 milhões Kz na aquisição de material, ferramentas, arrendamento de espaço e contratação de pessoal técnico e operadores.

A Narisrec é uma startup cleantech que actua na recolha, tratamento, desmantelamento manual, gestão e comercialização de resíduos eléctricos e electrónicos e é uma das primeiras de referência nesta área, tendo sido certificada pela Agência Nacional de Resíduos (ANR).

Como empresa de facto, a Narisrec foi criada oficialmente em 2019, mas foi no ano seguinte (em 2020) que iniciou as actividades, com um investimento inicial de 30 milhões Kz.

Actualmente, a empresa tem uma facturação mensal de 5 milhões Kz e um investimento que resulta de “fundos próprios, de apoio familiar e de amigos”.

A génese do projecto

A ideia começa em 2014 com a crise financeira. Afectado por um despedimento colectivo na empresa em que trabalhava, Décio Silva, cria com os recursos financeiros da indeminização uma pequena loja de reparação de computadores, que se transformou mais tarde na Narisrec - empresa de gestão de resíduos electrónicos de que é hoje CEO.

À partida, a loja atendia pessoas muito próximas ao actual CEO da empresa e público interessado, cujo rendimento ajudava a suprir as despesas com a família. Com o andar do tempo, sobretudo, com o acumular dos resíduos eléctricos e electrónicos na pequena loja, Décio Silva questionava-se sobre o que faria com tanta sucata. Entre deitar e reaproveitar, prevaleceu a segunda opção - reaproveitar. “Foi assim que comecei a me interessar, efectivamente, pela reciclagem electrónica”, diz.

Com conhecimento e experiência obtida no decorrer do tempo, Décio Silva passa a dedicar mais tempo ao estudo e investigação sobre o assunto na busca de exemplo de outros países – reciclar resíduos electrónicos “ecologicamente e de forma sustentável”.

“Surge, então, a ideia de criar algo similar para Angola com base no exemplo do exterior do país, pois não temos no mercado um negócio similar, seguro e de qualidade, com impactos ambientais benéficos para o País”, justificou.

Hoje, para além da gestão e comercialização de resíduos electrónicos, a startup actua, igualmente, na área de gestão de activos de tecnologia de informação (TI), consultoria ambiental para empresas indicado como podem gerir melhor os seus resíduos electrónicos, desactivação de datacenters para uma melhor racionalização, bem como a valorização e diminuição de custos aquando da mudança de infra-estruturas de informática.

Actua também na destruição de dados e discos através de procedimentos internacionalmente aceites, sem descurar a venda de equipamentos electrónicos recondicionados e usados.

Fazendo fé nas palavras de Décio Silva, Angola é o terceiro maior produtor de resíduos electrónicos dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOPs), seguido do Brasil e Portugal. Segundo ele, 68% dos angolanos são pobres e muitos dos quais não têm oportunidades de comprar equipamentos electrónicos novos e 90% das empresas públicas e privadas armazenam os resíduos electrónicos inapropriadamente.

Explicou ainda que, todos os anos entram no País aproximadamente 225 mil novos equipamentos electrónicos.

Na sua visão, as pessoas têm pouca informação sobre reciclagem de resíduos electrónicos e o seu impacto no ambiente. “Não percebem os prejuízos que podem causar a saúde, o que mostra que o País tem potencial, mas devido a burocracia de mercado é extremamente difícil uma empresa como a nossa crescer de forma natural, visto que a maioria da população precisa aprender muito sobre as vantagens e desvantagens na gestão dos resíduos electrónicos”.

Para tal, o nosso interlocutor defende a necessidade de um trabalho conjunto entre as autoridades e as comunidades no tocante às questões “legais e ambientais”, bem como a realização de campanhas de sensibilização e educação ambiental.