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COVID-19 tornou mais difícil conduzir os negócios com integridade, revela estudo da EY

As perturbações pós-pandemia COVID-19 continuam a desafiar as empresas, passados dois anos. O Relatório de Integridade Global 2022 indica que 35% dos profissionais de organizações africanas acreditam que o comportamento antiético é tolerado quando envolvidas pessoas do topo da gestão.

Luanda /
02 Mai 2022 / 10:43 H.

O mais recente Relatório de Integridade Global 2022 da consultora multinacional Ernst & Young (EY) revela que 47% dos inquiridos consideram que a pandemia “tornou mais difícil” conduzir os seus negócios com integridade, no entanto, existem também mais empresas a valorizar a sua reputação, a integridade corporativa e a retenção de colaboradores.

Os resultados do relatório foram apresentados recentemente, na Conferência “Integridade, Ética e Cibersegurança: Desafios e Oportunidades”, promovida pela EY Angola, em Luanda.

Os resultados mostram condutas menos próprias, mas os 195 dos entrevistados, entre Junho e Setembro de 2021, consideraram que houve “um aumento da consciência sobre ética e valores”, destes, 97% acha “importante demonstrar que a sua organização opera com integridade e 72% considera importante um código de conduta sobre como os funcionários se devem comportar nos negócios.

Por sua vez, 53% acredita que a declaração sobre valores e visão da organização pode inspirar a conduta das pessoas e 59% acha que os padrões de integridade melhoraram na sua organização nos dezoito meses anteriores à realização dos inquéritos. Contudo, 35% acredita que o comportamento antiético é frequentemente tolerado quando as pessoas envolvidas ocupam altos cargos.

Ainda, 61% dos funcionários das organizações africanas acredita poder relatar irregularidades no trabalho, sem medo de consequências negativas, mas 49% diz que não o faz por achar que as suas preocupações não seriam atendidas e 47% afirma que ao denunciar situações de má conduta foi pressionado para não o fazer formalmente.

Segundo o estudo, 49% dos entrevistados relata que nos dezoito meses anteriores ouviu a administração da sua organização falar sobre a importância de se comportar com integridade, e 85% afirma que a sua organização tomou medidas contra funcionários por violar normas ou regulamentos de integridade.

Os peritos da EY apontam ainda que 57% concorda com a necessidade de haver formação regular sobre requisitos legais e 72% acredita na formação como forma de proteger contra violações de segurança de dados; 46% avalia positivamente a formação sobre regulamentos de privacidade de dados, como o Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados, mas apenas 25% está informado sobre procedimentos para trabalhar remotamente.

O desafio, de acordo com estudo da consultora de Londres e com escritórios Luanda, passa por desconstruir o fosso crescente entre o que os líderes seniores das organizações dizem ser importante e o que eles estão preparados para fazer em benefício próprio, numa óptica de “faz o que digo, mas não o que faço”.

A Conferência, realizada no InterContinental Luanda Miramar, reuniu um conjunto de parceiros, clientes e convidados de renome da economia e sociedade angolana, como José de Lima Massano, Governador do Banco Nacional de Angola, que assegurou a abertura institucional do evento, e Mário Oliveira, Secretário de Estado das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, que encerrou o programa.

“Integridade, ética e cibersegurança assumem especial importância no sector financeiro”

O Governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano afirmou que durante o discurso de abertura que “a integridade, ética e cibersegurança assumem especial importância no sector financeiro”, considerando o papel fundamental que as instituições que aí operam desempenham na economia e na sociedade. E por essa razão, são também temas permanentes na agenda do BNA.

De acordo com o Governador do banco central, a crise financeira mundial de 2007/2008 e as suas consequências demonstraram, com grande clareza, que “sem o compromisso com uma gestão competente das instituições financeiras, que promove uma cultura organizacional e conduta coerentes com padrões de ética, integridade e profissionalismo, não se pode garantir a sustentabilidade das economias, nem a estabilidade do próprio sistema financeiro”.

Assim, segundo José de Lima Massano, os princípios de Basileia passaram a assumir especial relevância da regulamentação dos modelos de governação das instituições financeiras, assistindo-se, nesse domínio, a um enquadramento regulatório cada vez mais assertivo.

O governador do Banco central avançou também que em 2020, com o objectivo de aproximar o funcionamento do sistema financeiro nacional às melhores práticas internacionais, o BNA iniciou o processo de alinhamento da legislação e regulamentação do sector financeiro e do seu próprio modelo de supervisão, com o que vigora na União Europeia.

No âmbito deste processo, em Maio de 2021, foi publicada a Lei do Regime Geral das Instituições Financeiras, realça José de Lima Massano.

Entre as actualizações mais relevantes, encontram-se as referentes aos modelos de governação das instituições financeiras, incluindo requisitos sobre a adequação dos membros dos órgãos de administração e fiscalização e dos titulares de funções relevantes.

José Massano afirmou também que a cibernética é uma tema de extrema importância e deve estar no topo da agenda de todas as entidades e pessoas activas no ciberespaço.

“Vivemos num mundo cada vez mais digitalizado, e o cibercrime é o tipo de crime económico que mais tem crescido a nível internacional, com danos previstos custar à economia global 10,5 biliões USD anualmente até 2025, de acordo com a Interpol. Por isso, o tema tem que estar no topo da agenda de todas as entidades e pessoas activas no ciberespaço”, sustentou.

Para Carlos Basto, Office Managing Partner da EY Angola A Integridade, a Ética e a Cibersegurança são temas cada vez mais actuais, merecendo uma especial atenção por parte dos empresários e gestores.

“A promoção desta Conferência visou, acima de tudo, contribuir para a construção de um futuro melhor em Angola, através de um momento de partilha entre os nossos parceiros, clientes e entidades públicas e privadas de elevado destaque na sociedade e no panorama económico do País,” afirmou Carlos Basto.

Para Andrew Gordon, Líder Global de Serviços Forenses e de Integridade da EY, “a integridade nos negócios não se trata de conformidade e gestão de riscos, mas sim de proteger a organização, os seus activos e a sua reputação”, defendo que o Relatório de Integridade Global 2022 da EY serve como “um alerta para os conselhos de administração, directores jurídicos e directores de compliance, para se concentrarem em elevados padrões éticos em toda a organização e aproveitar os dados para atingir essas metas”.

Adicionalmente, Andrew Gordon refere que é necessário criar um “ambiente de integridade adequado para estimular medidas que aumentem as boas práticas e um ambiente saudável no mercado corporativo”.

Após a apresentação dos resultados do Relatório, teve lugar um painel de debate subordinado ao tema ‘Integridade e Ética’, com a presença de Nelson Domingos da Costa, Inspector Geral Adjunto da Administração do Estado, Maria das Dores Jesus Correia Pinto, Presidente do Conselho de Administração da Agência de Protecção de Dados, Yonne Lizett de Queiróz de Castro, Administradora do Standard Bank, Sofia Vale, Co-Fundadora da Associação de Corporate Governance de Angola, e Benja Satula, Advogado na SLM Advogados.

Num segundo momento da Conferência realizou-se um painel de debate em torno do tema da Cibersegurança, com as intervenções de Lady Rosa, Chefe de Departamento da Direcção Nacional de Políticas de Cibersegurança e Serviços Digitais, Amílcar Safeca, Administrador da Unitel, Sidney Webba, Director de IT da Agência Nacional de Petróleo e Gás, e Sérgio Lopes, Director dos Sistemas de Informação do Banco de Fomento Angola.