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Corredor do Lobito nos “carris” com assinatura do acordo de Concessão

O Estado vai arrecadar mais de 2 mil milhões USD nos primeiros dez anos, ao passo que o concessionário vai investir 256 milhões USD em infraestruturas.

Luanda /
01 Nov 2022 / 09:00 H.

O Ministério dos Transportes realiza, segunda-feira, 31 de Outubro, no Hotel Trópico, província de Luanda, a cerimónia de Negociações do Concurso para a Concessão de Serviços Ferroviários e da Logística de Suporte do Corredor do Lobito.

Segundo soube o Mercado, as negociações irão prosseguir nos dias 1, 2 e 3 de Novembro, na sala de reuniões do Porto de Luanda a porta fechada.

O consórcio Mota-Engil/Trafigua/Vecturis ganhou a concessão do corredor do Lobito, no valor de 100 milhões USD e vai gerir a exploração e manutenção do transporte ferroviário de mercadorias entre Lobito e Luau durante 30 anos.

Segundo o Ministério dos Transportes, o valor do prémio de assinatura – cerca de 97,5 milhões de euros – está em linha com o montante de outras concessões no sector dos transportes no País, tendo permitido diferenciar os concorrentes com base na sua capacidade financeira face à dimensão dos activos em causa.

Com esta concessão, o Estado vai arrecadar mais de 2 mil milhões USD nos primeiros dez anos, ao passo que o concessionário vai investir 256 milhões USD em infraestruturas, equipamentos e material circulante e um valor adicional de 4,3 milhões USD em actividades diversas.

Ao nível da carga a transportar, as previsões apontam para 1.678 toneladas no quinto ano de concessão, 2.982 toneladas no 10.º ano, 4.979 toneladas no vigésimo ano e 4.979 toneladas no 30.º e último ano. A concessão tem a duração de 30 anos, podendo ser extensível a 50 anos caso o concessionário opte por construir o ramal ferroviário Luacano (Moxico) – Jimbe (Zâmbia).

Contudo, o Ministério dos Transportes destaca os benefícios desta adjudicação para o país, entre os quais “o impacto no desenvolvimento de indústrias fortemente dependentes da cadeia logística, como são a agricultura e as minas, e a consequente criação de empregos em cada uma delas”.

Na altura, o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas d’Abreu, citado pela imprensa, considerou que a exploração do Corredor do Lobito vai contribuir para o desenvolvimento local e regional, em torno da linha férrea, podendo representar uma contribuição para o Produto Interno Bruto estimada entre 1,6 a 3,4 mil milhões USD.

Refira-se que, o Corredor do Lobito começa no Porto do Lobito e atravessa o “nosso território” em direcção a leste, com uma linha férrea de cerca de 1.300 quilómetros, que cruza as regiões mineiras da República Democrática do Congo, na província de Katanga e a “cintura” do cobre na Zâmbia.