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Consórcio espera tornar Corredor do Lobito no 3º mais importante da SADC

Com o aumento da dinâmica no transporte de minerais e outros materiais nos próximos anos, bem como a melhoria da competitividade do sistema ferroviário, o consórcio espera tornar o Corredor do Lobito no 3º mais importante da região da SADC até 2050.

Luanda /
26 Jul 2022 / 11:49 H.

A assinatura do contrato de concessão vai marcar o início dos investimentos no Corredor do Lobito pelo consórcio Trafigura, Vecturis e Mota-Engil, vencedor do concurso público para gestão da infra-estrutura, assegura em exclusivo ao Mercado o representante do consórcio, Alexandre Canas.

O contrato de concessão, indica um comunicado de imprensa do consórcio enviado ao Mercado, deverá ser assinado nas próximas semanas.

“Os investimentos terão início assim que se iniciar a fase de mobilização, ou seja, no dia seguinte à assinatura do contrato de concessão, a fim de poder iniciar a actividade nas melhores condições e, sobretudo, para criar as condições para uma verdadeira subida do serviço ferroviário no corredor”, diz Alexandre Canas referindo-se ao plano de negócios estabelecido na “oferta” do consórcio.

Para o arranque dos trabalhos no corredor, Alexandre Canas garante ter sido já criado uma garantia bancária para assegurar o correcto cumprimento dos compromissos assumidos, tal como exigido pelos termos de referência do concurso público.

“Cumpriremos todos os nossos compromissos de investimento, tal como estabelecido na nossa proposta. Também já iniciámos discussões e medidas para mobilizar o financiamento necessário”, revela.

Por sua vez, o ministro dos Transportes, Ricardo D’Abreu, considerou que a exploração do Corredor do Lobito vai permitir que o transporte ferroviário “venha a aportar um conjunto de benefícios , contribuindo para o desenvolvimento local e regional, em torno da linha férrea, e podendo representar uma contribuição para o Produto Interno Bruto estimada entre 1,6 a 3,4 mil milhões de dólares”.

“A comprovada capacidade técnica e a robustez financeira das empresas integrantes do consórcio são uma garantia para a correcta operacionalização do transporte das mercadorias no Corredor do Lobito”, disse.

Contudo, explica o representante do consórcio que, as equipas da Vecturis já estão a trabalhar para estabelecer os termos de referência para os futuros contratos de obras e aquisição de equipamento.

“Escusado será dizer que não estamos à espera da assinatura do contrato de concessão para iniciar os trabalhos, mas as equipas Vecturis já estão a trabalhar para estabelecer os termos de referência para os futuros contratos”, adianta.

O passo seguinte ao concurso

Vencido que está o concurso público, o passo seguinte do consórcio será negociar e assinar um contrato de concessão, que na óptica de Alexandre Canas “é uma etapa que não deve ser demasiado complicada ou difícil”, uma vez que os princípios orientadores do contrato de concessão já estão incluídos nos termos de referência do concurso.

“O contrato de concessão estabelecerá os termos e a duração do período de transição, que será também o período de mobilização do nosso grupo. Esta fase será complexa e particularmente intensa e exigirá um compromisso maciço dos nossos recursos financeiros, mas acima de tudo recursos humanos”, refere.

Para tal, argumenta Alexandre Canas, o consórcio conta “fortemente” com o know-how e experiência do parceiro Vecturis, que é uma das poucas empresas em África ou no mundo, que sabe pôr em prática os procedimentos e regulamentos que devem reger o funcionamento de uma empresa ferroviária, seleccionar, recrutar e formar o pessoal, “dentro de um prazo que pode ser contado em meses”.

O parceiro Vecturis, explica, realiza com êxito concurso no âmbito do programa de investimento, aquisição do equipamento e sistemas necessários para iniciar a actividade, sobretudo, para o cumprimento de todos os requisitos estabelecidos pela regulamentação do País, para que a empresa concessionária obtenha a sua licença de operador ferroviário e os vários certificados de segurança exigidos.

Para este fim, garante, as equipas da Vecturis já entraram em diálogo com Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), órgão que tutela a actividade ferroviária no País.

De valência do consórcio não é tudo. Alexandre Canas ressalta, igualmente, a experiência da Mota-Engil em infra-estruturas ferroviárias, para criar “boas condições de segurança” no sentido da utilização das referidas infra-estruturas ferroviárias na data de arranque.

“A Mota-Engil tem uma longa história em Angola e estabeleceu fortes parcerias no país, permitindo-lhe mobilizar o equipamento e as equipas técnicas responsáveis pela manutenção da pista e pela implementação do programa de investimento em infra-estruturas dentro do mesmo curto espaço de tempo”, acrescenta, numa alusão de que “este período de mobilização é sem dúvida o maior desafio deste projecto, uma vez que dentro de alguns meses devemos criar uma empresa que, no dia fixado pelo futuro acordo de concessão, possa estar pronta a assumir a responsabilidade pelo tráfego ferroviário. Sabemos que não temos o direito de cometer erros e o nosso grupo será plenamente mobilizado para alcançar este objectivo”, assevera.

Um instrumento para o comércio transregional

Numa avaliação ao peso que representa o Corredor do Lobito à economia nacional, Alexandre Canas descreve aquele corredor como instrumento de desenvolvimento do porto do Lobito e do comércio transregional, bem como para o desenvolvimento das províncias servidas pelo caminho-de-ferro.

“Este corredor deverá contribuir para uma redução do preço dos bens básicos nas cidades e aldeias na área de influência do caminho-de-ferro, mas também para o desenvolvimento do potencial industrial e agrícola destas regiões”, sublinha, enaltecendo a natureza rigorosa, profissional e transparente do processo de concessão, que na sua visão “é a melhor mensagem que o País pode enviar aos investidores estrangeiros e nacionais”.

“É uma grande honra termos merecido a confiança do Ministério dos Transportes para desenvolver o potencial económico desta rota férrea histórica que atravessa o país, particularmente numa época em que a demanda de minerais necessários para a transição energética cresce rapidamente”, enaltece.

O corredor mais importante da SADC

O consórcio tenciona tornar o Corredor do Lobito no 3º mais importante da SADC em termos de quota de mercado.

“A questão da quota de mercado surge apenas para os corredores que estão em concorrência com o Corredor do Lobito, para servir a mesma área da África Central”, enfatiza Alexandre Canas, para quem “o desempenho combinado do porto do Lobito e a melhoria da oferta marítima a partir deste porto, mas também a possibilidade de desenvolver um corredor terrestre eficiente não só em Angola mas também na RDC deverá permitir tornar o corredor do Lobito o mais importante da sub-região”.

Consórcio assume trabalhadores do CFB

O consórcio, de acordo com o seu representante, deverá criar uma centenas de empregos directos e indirecto, para além do pessoal do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), que será assumido pela nova empresa concessionária.

“Para além dos empregos directos criados, haverá também criação indirecta de empregos devido a actividades de subcontratação, bem como actividades geradas pelo simples facto de estar disponível um serviço de transporte ferroviário eficiente”, sustenta.

Ricardo D’Abreu, ministro dos Transportes

A comprovada capacidade técnica e a robustez financeira das empresas integrantes do consórcio são uma garantia para a correcta operacionalização do transporte das mercadorias no Corredor do Lobito.

Alexandre Canas, representante do consórcio

Os investimentos terão início assim que se iniciar a fase de mobilização, ou seja, no dia seguinte à assinatura do contrato de concessão, a fim de poder iniciar a actividade nas melhores condições.