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Carga fiscal sufoca Angoplaste

O director geral da Angoplaste quer ver uma redução no valor do IVA e do IRT de forma a beneficiar as indústrias produtivas que existem a nível do País.

Luanda /
05 Jul 2021 / 16:28 H.

A Angoplaste, fábrica de transformação de plástico, está sufocada com a carga fiscal de IRT, custos de selos e o IVA que considera consumir somas monetárias avultadas das indústrias, revelou em exclusivo ao Mercado, o director geral da instituição, Sérgio Dias.

De acordo com o responsável, deve ser reduzida a carga fiscal de modo a converter estes valores em outros investimentos que podem gerar mais postos de trabalho e beneficiar o mercado com novos produtos e fazer circular a economia.

“Nós sabemos que parte do Estado está com grandes dificuldades e é mais fácil carregar quem já está identificado, mas gostaríamos caso fosse possível ver uma redução no valor do IVA e do IRT deforma a serem beneficiadas as indústrias produtivas que existem a nível nacional” disse.

Quanto aos impostos, Sérgio Dias garantiu, não constitui nenhum constrangimento para a empresa e parabeniza o desenvolvimento que foi feito por parte da AGT que facilitou as ferramentas à empresa a fazer tudo que é liquidação e ter acesso a tudo, diferente do que ocorria antigamente onde encontravam grandes dificuldades para se fazer apuramento de qualquer coisa.

Crescimento da empresa

Com relação ao primeiro semestre do ano transacto e o mesmo período de 2021 a empresa facturou cerca de 40 milhões Kz o que se verifica uma redução em volta de 30 milhões Kz em relação a2019 e pelas contas feitas da empresa gerou um volume de negócios de pelo menos 250 milhões Kz.

Ao fazer referência do lucro, o entrevistado precisou não ter ainda resultados porque estão numa fase de amortização do projecto visto que adquiriram um total de 16 milhões USD que até à data ainda não foi amortizado. Tudo que a empresa gera em termos de receita está servir para manter a fábrica em funcionamento, comprar matéria-prima, pagar salários, fornecedores locais e o Estado.

O negócio da Angoplaste tem maior impacto na província da Huíla que representa uma quota de mercado maior na carteira de clientes da empresa reflectindo assim em cerca de 85% do crescimento da empresa, por ser a província com maior número de empresas produtoras de água.

As preformas são o negócio principal da Angoplaste, disse Sérgio Dias, para mais adiante afirmar que só produzem marisa alta e são líderes no mercado neste segmento.

“Todos produtores de marisa alta compram o produto na Angoplaste desde a Bom Jesus, Água da Chela, Preciosa etc” disse.

“O nosso negócio é de gramas e quando fizemos o estudo para Angoplaste chegamos a conclusão que deveríamos optar pela marisa alta por causa do transporte e pela localização das fábricas, muitas delas não estão em Luanda ou se estão, encontram-se a vários quilómetros de distância para o produto final ser consumido” explicou.

Há menor perda em transportar a marisa alta devido alguns buracos no decorrer da estrada que acabam por partir algumas garrafas no decorrer do caminho e por isso fizeram a escolha no início, referiu Sérgio Dias para mais adiante frisar que agora ao “revés da medalha” o problema é que estão a surgir uma série de marcas novas de água no mercado além dessas que são as mais conhecidas e as mais antigas.

Sublinhou que tudo que está a surgir no mercado é marisa baixa e isso implica menos peso e a menos preço.

Angoplaste vai fazer um investimento de pelo menos meio milhão de dólares no molde de marisa baixa por ter agora um maior número de procura em consequência das novas fábricas que estão a ser montada sem Angola e que estão a optar pela marisa baixa.

Explica que se não for feito esse investimento a empresa não irá continuar a crescer e serão sempre estáticos, embora sejam líder em termos de marisa alta, mas pretendem ser líderes no mercado nacional também em marisa baixa e com isso poderão duplicar afacturação.

Principais dificuldades

Em 2019 a questão cambial foi uma das grandes dificuldades enfrentadas pela empresa, mas acabou por ser regularizada.

Actualmente precisou o entrevistado ter a “reversa da moeda”, em 2019 tinham os Kwanzas para comprar as divisas e hoje têm as divisas e não têm os Kwanzas, considerando ser uma luta que estão a enfrentar no dia-a-dia em casa e na empresa quase a mesma coisa.

“Portanto as dificuldades só aumentam de tamanho, mas é possível superar com o apoio que recebemos por parte da administração que são impecáveis”, frisou.

Garante mesmo com todas estas dificuldades ter conseguido importar a matéria-prima (não se encontra no mercado interno), sendo que neste momento têm um contentor que vai ser transformado e estão à espera demais a chegar.

Em 2020 houve uma quebra das vendas na empresa porque o mercado das águas parou, já não se verificava mais vendedores ambulantes no meio da estrada a venderem água em garrafas mas sim nas embalagens, só agora é que começamos a ver gradualmente as águas engarrafadas. Regime contratual da força de trabalho

Conforme disse Sérgio Dias, os funcionários têm um contrato de trabalho fixo o mesmo que está em vigor na lei angolana, não têm contratos temporários, caso estejam a necessitar de novos funcionários recrutam e no final dos contratos passam para efectivos.

Actualmente a empresa conta comum total de 32 funcionários e todos são nacionais.

“Embora sejam 32, apenas trabalhamos 24 horas por dia durante cinco dias por semana e são divididos em turnos pelo que não necessitam muito da mão de obra porque a maquinaria é automatizada”, falou.

Para isso, esclareceu não necessitarem de contratar trabalhadores com baixo nível de habilitações literárias, procuram sempre pessoas que estão a acabar a faculdade ou que estão a frequentar de maneira a crescerem em termos de equipa.