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Angolanos não querem dizer adeus ao teletrabalho

Estudo da MIRA avança que mais de 80% das pessoas em teletrabalho está satisfeita com este regime. E dois terços querem que o trabalho à distância e o presencial convivam após o levantamento das medidas de confinamento impostas pela pandemia de COVID-19.

06 Jun 2020 / 14:27 H.

A esmagadora maioria dos angolanos que tem estado a trabalhar a partir de casa está satisfeita com o regime de teletrabalho, revela um inquérito da MIRA. Segundo os resultados da empresa de estudos de mercado, dois terços das pessoas gostariam que, no futuro, após esta fase de confinamento, o teletrabalho convivesse com o trabalho presencial.

O estudo, um inquérito online realizado junto de uma amostra de 600 pessoas em teletrabalho, indica que 82% dos inquiridos estão satisfeitos com esta forma de trabalhar.

Entre as vantagens enumeradas estão os factos de o teletrabalho permitir maior flexibilidade de horários (53%), maior produtividade (38%) e menos despesas (37%).

Quanto aos desafios do teletrabalho, os angolanos elencam factores como ter as crianças em casa (dado que a escolas fecharam), dificuldades na gestão da vida pessoal e profissional, mais horas de trabalho e dificuldades no acesso à internet, entre outros.

O documento, a que o Mercado teve acesso, mostra que os angolanos apontam como elementos que valorizam o trabalho presencial o convívio entre colegas, um maior sentimento de felicidade e menos pressão.

Quanto ao futuro, contas feitas, 64% desejariam trabalhar em regime misto, 19% preferem o regresso ao local de trabalho e 16% gostariam de apenas trabalhar à distância.

WhatsApp à frente

O WhatsApp é, de longe, a ferramenta mais usada em teletrabalho (79% dos inquiridos), seguida do email (67%), telefone (61%), Skype (40%), Teams (35) e Zoom (33%).

Em declarações ao Mercado, Filipa Oliveira, senior partner da MIRA, conclui que “nesta fase o teletrabalho parece uma solução do agrado das partes, quer dos colaboradores, que sentem que ficando em casa estão mais protegidos e conseguem responder às solicitações profissionais, quer das empresas, que consideram o teletrabalho a opção para não ficarem inactivas”.

Ganhos e perdas

“No futuro, e após esta experiência disruptiva, certamente algumas destas actividades vão poder continuar a ser realizadas à distância, nomeadamente por se terem tornado evidentes algumas das vantagens do teletrabalho, entre as quais podemos destacar o work-life balance, que contribui para o bem-estar dos colaboradores e consequentemente para o incremento dos níveis de produtividade”, defende a gestora, que alerta, contudo, para a necessidade de se avaliar os ganhos e perdas deste regime.

“De que forma o teletrabalho vai distanciar colegas e tornar os trabalhadores mais solitários e isolados?

Que dificuldades vão sentir estando dia após dia confinados a trabalhar num lar-escritório, pouco espaçoso e partilhado com uma família numerosa?”, questiona Filipa Oliveira, que destaca que “no futuro e livres de pandemia, uma opção mista, combinando uns dias de trabalho à distância com outros no local de trabalho, poderá ser uma solução vantajosa para todos”.

A senior partner da MIRA lembra os casos em que esta opção não é viável.

“Motoristas, vendedores, empregados domésticos, de restaurantes, de hotéis, mecânicos, pintores e cabeleireiros são algumas actividades que não podem ser feitas a partir de casa”, pelo que “a obrigação de confinamento é, sem dúvida, bastante penalizante para estas e outras actividades”