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Angola perto da auto-suficiência na produção do sal marinho

“A indústria salineira deve estar atenta ao crescimento das empresas do sector dos transportes”

Luanda /
15 Mar 2021 / 12:30 H.

A Associação dos Produtores e Transportadores de Sal de Angola (Aprosal) produziu pelo menos 140 mil toneladas de sal marinho em 2020, o que representa um aumento de 8%, face a 2019, segundo dados obtidos pelo Mercado.

De acordo com o presidente da Aprosal, Tottas Garrido, Angola está perto de atingir a auto-suficiência, no que tange à produção de sal. Actualmente o sector salineiro tem uma capacidade estimada de 80%. Tottas Garrido, em declarações ao Mercado, disse que a Aprosal tem abastecido a indústria alimentar, as empresas de produtos de limpeza e os criadores de gado. “Falta apenas determinar as quantidades necessárias para serem consumidas”.

Face aos níveis de produção e qualidade, informou, a indústria petrolífera passará a comprar sal no mercado nacional, facto que marca um novo ciclo para a dinamização do sector salineiro no País. Odílio Silva, director-geral da Ango-Sal Ltda., contactado pelo Mercado, realçou a estabilidade do sector, tendo informado que Aprosal está próxima de atingir a meta estabelecida no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2018 – 2022), que é de 160 mil toneladas por ano. “Faltam pequenos investimentos para melhorar a capacidade de captação de água do mar”, disse, acrescentando que Angola se tornará num dos maiores exportadores de sal.

Para maior sustentabilidade da indústria salineira, advoga Odílio Silva, o sector deve estar atento ao crescimento das empresas de transporte porque consomem grandes quantidades de sal. “É preciso que se recupere toda capacidade instalada dos actuais produtores artesanais e ser avançar em simultâneo com a construção de salinas industriais”, disse.

O director-geral da Ango-Sal, empresa cuja capacidade instalada é de 12 mil toneladas por ano, quase 9% da produção total do País, também informou que a maior dificuldade do sector se prende com a falta de energia eléctrica e água potável. “Até ao final do ano a Ango-sal prevê, numa perspectiva de desenvolvimento da cadeia de valor, estabelecer parcerias com outros players do mercado”, argumentou.

Primeiro lucro

No âmbito da parceria com a indústria petrolífera, a Aprosal vendeu 140 mil toneladas de sal marinho, no valor de 250 milhões de

Kwanzas, à Base do Kwanda, no Soyo, província do Zaire. Foi a primeira fase do fornecimento. O negócio, segundo o responsável da Aprosal, foi mais rentável para as empresas ligadas à embalagem e transporte.

Para a execução do fornecimento, disse, a Aprosal criou um consórcio que permitiu fazer a entrega, num período de doze dias com mais de 50 camiões, transportando sal das províncias do Namibe, Benguela e Cuanza Sul. “A operação decorreu com sucesso”.

Investimento a ser feito

O progresso da indústria salineira, defende o homem forte da Aprosal, passa pela electrificação das zonas de produção de sal no município da Baía Farta, o que vai ajudar a reduzir os custos com o gasóleo e vai permitir a redução dos preços no processo de venda na origem.

Tendo em conta os desafios, salientou, o sector salineiro em Angola está a reorganizar-se, a implementação do sistema de electrificação dos maiores pólos de produção, quer no Cahmume, quer no Cabo Negro, no Tômbwa, constam das acções que visam a reforma da indústria do sal.

Com base numa pesquisa do Mercado, estão inscritos no Portal do Produtor Nacional mais de 34 empresas, das quais onze são da província de Benguela, oito do Namibe, cinco do Bengo, quatro de Luanda, três do Cuanza Sul. As províncias do Bié, Huíla e Zaire têm cada uma.