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“Angola é um dos países que mais contribui para o crescimento financeiro do grupo”

Em entrevista exclusiva ao Mercado, Fernando Leite, Director-geral do Grupo Caetano em Angola, faz uma incursão a aquisição da Robert Hudson, revela que Angola é um dos países que mais contribui para o crescimento financeiro do grupo ao nível do continente africano, anuncia investimentos em novas instalações, bem como a inclusão de mais duas marcas de automóveis no leque das que representam oficialmente no País.

Luanda /
21 Jun 2022 / 09:34 H.

Em 1990 a Robert Hudson foi adquirida pelo Grupo Salvador Caetano – a maior empresa de retalho do sector automóvel na Península Ibérica. De lá para cá, qual é a vitalidade do grupo em Angola?

A vitalidade do Grupo Salvador Caetano, desde 1990, tem sido uma constante, traduzindo-se nos constantes investimentos que têm sido feitos, quer na criação de novas empresas, quer na construção de novas instalações.

As empresas criadas foram a Drive Angola e a Caetano Parts Angola, as novas instalações foram as da Robert Hudson, em Talatona, e da Caetano Express, na Mulemba.

Quanto é que o Grupo Caetano investiu para as operações em Angola?

O valor do investimento bruto em Angola à data de 31 de Dezembro de 2021 era de 10.230.800 USD.

Hoje com a restruturação do negócio em Angola, o grupo injectou mais recursos financeiros?

A última injecção de capital foi feita aquando da construção das novas instalações da Robert Hudson, em Talatona.

É investimento próprio ou crédito bancário?

Para o investimento relativo à construção das novas instalações da Robert Hudson recorremos ao crédito bancário.

Qual é a quota de mercado do grupo Caetano hoje?

A quota de mercado das marcas representadas, Ford, VW, Peugeot, Citroën e Chery, é de 6,8% (informação ACETRO acumulado mês de Abril 2022).

A empresa continua a deter 65% de presença do território: Luanda, Lobito, Benguela, Malanje, Lubango, Namibe, Huambo, Cuando Cubango, Bié, Moxico e Cabinda?

Infelizmente, já não cobrimos algumas das zonas do território referidas. Actualmente estamos em Luanda e no Lobito com instalações próprias, no Huambo, em Cabinda e em Benguela através de parcerias. Para as regiões que deixamos de cobrir estamos à procura de empresas interessadas em serem nossos agentes.

A Caetano é representante oficial no País da Citroën, Ford, Peugeot, Volkswagen e da Chery.

Quais das marcas é mais comercializada e quantas unidades venderam nos últimos dois anos?

A marca mais vendida foi a Ford. Nos últimos dois anos o total de vendas das marcas representadas foi de 402 veículos.

Qual é o nível de aceitação da marca chinesa Chery no País e quantas unidades vendeu desde o seu lançamento localmente?

A marca Chery foi lançada em Abril deste ano. Até à data foram vendidas cerca de 50 viaturas, o que entendemos traduzir-se num excelente nível de aceitação.

O volume de facturação dos últimos dois anos satisfaz o grupo para cada modelo de carros?

Nos últimos dois anos poucos serão os sectores de actividade que manifestem satisfação com os volumes de facturação conseguidos. O nosso Grupo não é excepção.

Do ponto de vista global, qual é a situação da Caetano no que diz respeito às vendas em Angola?

No corrente ano face ao orçamento temos realidades distintas nas diversas actividades.

No após venda e venda de peças estamos alinhados com as expectativas vertidas no orçamento. Na venda de viaturas, fruto de algumas dificuldades de abastecimento que são conhecidas a nível mundial, estamos com um desvio negativo. No entanto, esperamos recuperar no segundo semestre.

Os preços praticados são competitivos tendo em conta a concorrência?

As dificuldades do mercado em Angola obrigam-nos a procurar constantemente produtos a preços competitivos. Se assim não fosse, estaríamos constantemente a perder negócio para a concorrência.

Como encara a concorrência no retalho de automóvel no País?

A concorrência é cada vez maior. Têm aparecido constantemente novos players no mercado com produtos que concorrem directamente com os nossos e, por essa razão, estamos sempre muito atentos.

O grupo Caetano está em vários países do continente africano. Qual dos países contribui mais para o crescimento financeiro do grupo?

Angola é um dos países que mais contribui. Por um lado, porque é o país onde está representado há mais anos, por outro porque o mercado angolano é um dos maiores em termos de potencial de vendas. Evidentemente, como em todas as actividades em Angola, houve anos de muito crescimento e anos de queda.

Quantos postos de trabalho tem o grupo hoje no País?

Nas nossas instalações de Luanda e do Lobito contamos com 162 colaboradores directos.

Algum projecto em concreto do grupo para os próximos tempos em Angola?

Estamos actualmente a construir as novas instalações em Viana para albergar a actividade de após venda de pesados.

Para quanto a introdução de uma nova marca, para além das que representa oficialmente no mercado nacional?

Durante o segundo semestre vamos ter duas novidades.