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Angola com população jovem mais empreendedora dentre 47 economias do mundo

Ganhar a vida porque a oferta de emprego é escassa e fazer a diferença no mundo são apontadas como duas motivações para começar o negócio em Angola.

Luanda /
06 Jun 2022 / 11:32 H.

A população empreendedora “early-stage” (estágio inicial) em Angola, no período 2020/2021, rondou aos 50%, a maior dentre 47 economias analisadas, cinco das quais africanas, refere o estudo do Global Entrepreneurship Monitor (GEM).

A pesquisa, apresentada esta Quinta-feira, em Luanda, aponta que a actividade empreendedora na faixa etária mais jovem (18-24 anos) tem registado o maior crescimento com uma taxa de actividade de 54% em 2020 com a diferença de apenas um ponto percentual de (55%) relativamente à faixa etária dos (25-34 anos).

O relatório refere que a intenção de iniciar um negócio (estimada em 83%) continua a ser mais elevada entre a população angolana do que em qualquer outro dos países analisados pelo GEM Angola.

O insucesso é relativamente baixo nos últimos anos, apresentando em 2020 valores próximos dos verificados em 2014 (35% e 37%, respectivamente), tendo havido um aumento de 84% na percepção do risco de 2018 a 2020, aponta.

O presidente da Comissão Executiva do banco BFA, Luís Roberto Gonçalves, que falou na sessão de apresentação realçou a importância do estudo, considerando relevantes para a actividade empreendedora em Angola, que acaba por ter muitas referências sobre o que acontece no mundo.

O PCE considera que o desenvolvimento da actividade empreendedora em Angola assume um papel crucial, uma vez que promove a actividade que gera oportunidades de emprego, sendo igualmente uma alavanca para o desenvolvimento sustentável do País.

Na sua visão, o empreendedorismo pode ajudar a criar um ambiente de negócio favorável e uma economia diversificada.

Luís Roberto Gonçalves entende que promover o empreendedorismo no País é “estratégico e prioritário”, numa altura em que o BFA continua a adequar a oferta de produtos e serviços para servir esse segmento de clientes além de apoiar a investigação.

Por sua vez, o director do Centro de Estudos e Investigação da Universidade Católica de Angola (CEIC), Alves da Rocha, considerou fundamental a adopção no País de um modelo de desenvolvimento económico sustentável com base na educação, para permitir o desenvolvimento e o progresso.

Explicou que a educação relaciona-se com tudo que se passa na economia, aumentando a produtividade, diversificação, competitividade, abarcando as várias áreas da sociedade.

Em seu entender, as políticas de combate à pobreza centradas apenas nas transferências de rendimentos não funcionam, a educação tem uma influência extraordinária no processo de redução da pobreza.

“A educação está relacionada com o emprego, porque criar emprego deve ter uma componente fundamental”, reforçou.

A pesquisa foi realizada pela Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI), em parceria com o Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC-UCAN) e o Banco de Fomento de Angola.

Envolveu a sondagem a dois mil indivíduos de 10 províncias, auscultação a 37 especialistas nacionais que avaliam 11 condições estruturais.

Entre os países constam os Estados Unidos da América, Alemanha, Brasil, Togo, Burkina Faso e outros, que ultrapassam Angola nalguns critérios analisados, como o período de sobrevivência de um negócio, que, no País, em cada cinco a quatro não sobrevivem.

O GEM reúne informações recolhidas ao longo dos últimos 22 anos, tendo analisado, neste período, mais de 120 economias, contando com a colaboração de mais de 500 especialistas, bem como a contribuição de mais de 300 institutos de investigação e 200 mil entrevistas.