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Angocajú reduz capacidade de oferta por escassez de matéria-prima

Empresa líder no processamento de castanhas de cajú reduziu a sua capacidade de oferta no mercado devido a escassez de matériaprima, diz o Director-geral da empresa, Camilo Ortet.

Luanda /
14 Set 2020 / 10:55 H.

Sem avançar dados sobre o volume de vendas e a facturação do negócio, o responsável referiu que a capacidade de oferta dos seus produtos diminuiu. Com uma capacidade instalada de processamento de cerca de 350 kgs/hora hoje a unidade está paralisada por falta de matéria-prima. “Estamos a espera que a esperança volte”, afirmou, acrescentando que desde Março que não entra nenhum barco para Angola, uma vez que o cajú é importado de Moçambique pelo facto do mercado interno não dispor de matéria-prima suficiente. “Sempre trabalhamos aquém do potencial da nossa capacidade instalada”, diz o gestor numa alusão de que para um País com carência de tudo não se preparou para a autossuficiência”.

Camilo Ortet refere que, “não temos como viver sem importação”, pois um fusível que custa menos de um USD faz parar uma indústria estratégica “nesta terra amada”, e a “única saída”, sustenta a sua tese, é mesmo importar o fusível porque o País não se fundamentou para o efeito. “Quando é que vamos começar a efectivar o potencial que dispomos?, interrogou, ressaltando que a compra este meio USD para importação do tal fusível é uma tremenda dor-de-cabeça, ou seja, fica-se a espera de cabimentação de divisa durante muito tempo. “Falem com os empresários e os industriais e tentem medir as suas dores e contingências. Ser industrial aqui é um acto de heroísmo”, enalteceu.

Desafios no processamento

Na óptica do gestor, os principais desafios no processamento de castanhas passam pelos mais básicos, desde energia eléctrica, água e infraestrutura de apoio da cadeia. “O cajú tem, em toda a sua linha de plantio, produção e processamento, uma rentabilidade e uma procura internacional fora da média, se comparado com as demais commodities agrícolas”, exemplificou.

“É chamado o ‘petróleo dos pobres’ porque desde a casca, o bagaço, passando pelo ácido, película, até ao falso fruto de onde se retira a amêndoa de caju, são aproveitados e reaproveitados nos ciclos de processamentos. Também é uma árvore ‘selvática’ que com bons cuidados se refina para uma boa produtividade per capita”, adiantou, assegurando que árvore fixa as populações no interior e cria renda de sobrevivência. “Deveríamos apostar na cajucultura”, incentivou.

Frutas desidratadas

O projecto da pequena indústria de processamento de frutas desidratadas, um dos focos da empresa – foi requalificado para outros produtos tropicais como a banana pão, a batata-doce e a mandioca. “Sentimos que, para além de cara o seu processamento, os nossos hábitos alimentares ainda não estão virados para a alimentação desidratada”, justificou, notando também que se descontinuou estrategicamente o projecto da produção de sabão, apesar dos bons resultados. Tratava-se do reaproveitamento do óleo em fim do ciclo de uso e, por isso, um ganho extraordinário, referiu.

A empresa que foi criada com capitais próprios teve o apoio do Programa Angola Investe (PAI), que actualmente conta com 10 colaboradores. Com a pandemia da COVID-19 não houve perda de postos de trabalho, optando-se no âmbito administrativo pelo teletrabalho em alguns momentos. “A indústria é, predominantemente, de mãos na massa”, ironizou.

Auto-sustentabilidade do projecto

Indagado sobre auto-sustentabilidade do projecto, Camilo Ortet ripostou: “Há em Angola algum projecto verdadeiramente autosustentável?”.

Em resposta ao seu questionamento afirmou que, o País não se preparou para auto-sustentação porque fazia parte de um processo de dependência estratégica direccionada que era salutar para uma classe “pro-burguesa e pseudonobre camuflada” diante do “sacrifício e miséria do povo heróico e generoso”.