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Afrofood ambiciona construir novo matadouro avaliado em 400 milhões kz

O investimento permitirá o aumento da capacidade de abate de 200 bovinos, 600 caprinos e 100 suínos, contra os actuais 100 bovinos, 400 caprinos e 60 suínos por mês.

Luanda /
26 Set 2022 / 08:33 H.

A Afrofood, detentora da marca “Ango carnes”, empresa especializada em abate, embalamento e venda de carnes deverá criar, em breve, um matadouro, em Luanda, com um investimento inicial avaliado em 400 milhões Kz, revelou ao Mercado o sócio maioritário, Humberto Machado.

O investimento permitirá o aumento da capacidade de abate de 200 bovinos, 600 caprinos e 100 suínos, contra os actuais 90 bovinos, 300 caprinos e 50 suínos por mês

A materialização do projecto, de acordo com Humberto Machado, acontecerá no Iº semestre do próximo ano, estando já a tramitar junto da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX) a legalização do espaço para construção do matadouro.

“A infra-estrutura vai aumentar a linha de abate que contará com ampliação da sala de abate, sala de desmanches de carnes e tratamento para engorda dos animais para poderem uniformizar mais os produtos e apresentá-los aos clientes, facto é que, permitirá que os clientes sejam capazes de terem os produtos em grande quantidade como e quando desejarem”, disse.

“Estamos a criar este matadouro para nós e eventualmente para alguma prestação de serviço. Será uma estrutura que nos permitirá resolver os nossos problemas e prestar alguns serviços sem que tenhamos de fazer um grande investimento, porque se for um investimento muito grande, também inviabiliza o projecto” sustentou Humberto Machado.

Para responder à demanda do mercado nacional, a Afrofood transforma carnes em enchidos e traz consigo diversas inovações ao nível de embalamento e outras.

Origem dos animais

Estes são adquiridos no mercado nacional, particularmente na região sul do País, com destaque para as províncias da Huíla e Cunene (de onde são comprados os bovinos e caprinos) enquanto os suínos provêem do Cuanza Sul.

No tocante a cadeia de abate, a maquinaria é proveniente da Europa, Brasil e China, o que concorre para a preferência pelos produtos daquela sociedade, fruto dos custos e da qualidade dos referidos produtos. Produtos com “muita concorrência” nos canais Horeca (indústria de restauração), hotelaria e no cliente final ou singular.

Crescer o mercado da carne

Este é o desejo de Humberto Machado que pretende ver crescer o mercado da carne para estimular o consumo, e, consequente, a massificação e criação de mais postos de trabalho. Um sector que considerou ter dado (continua) a dar passos importantes, mas há ainda muito por se fazer mormente a aposta na formação do homem, que na sua óptica “é um aspecto fundamental”.

Em termos económicos, ressaltou, o País também precisa crescer para “termos consumo e capacidade de absorver aquilo que produzimos”, sustentou.

“Porque se criarmos empregos, teremos o mercado e a economia a funcionar”, adiantou.

Dificuldades

Apesar da sustentabilidade do mercado em que actua, aquela empresa tem enfrentado algumas dificuldades no que diz respeito à engorda dos animais adquiridos, principalmente no período de cacimbo, uma altura em que há escassez de alimentos (pasto) para estes, provocando o seu emagrecimento.

Relativamente ao volume de negócios da Afrofood, a empresa que consumiu 100 mil euros para o arranque do projecto em 2021, cresceu pelo menos 20% mesmo não tendo sido um momento “bom para muitos empresários”.

Humberto Machado aclarou ainda que, no primeiro semestre deste ano o volume de negócios cifrou-se em 1 milhão USD.

Há três anos no mercado nacional, a empresa conta com 38 trabalhadores, podendo vir a aumentar mais 48 com o arranque próximo ano do matadouro.